Gabriel Pasquarelli, pesquisador do estudo sobre o Ômega-3 DHA no combate ao câncer de ovárioSECOM UnB/DivulgaçãoResultados iniciais de um estudo da Universidade de Brasília (UnB) apontam para a capacidade do ômega-3 DHA de induzir a morte das células de câncer de ovário. A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Inflamação do Departamento de Biologia Celular (Limi/CEL/IB), ligado ao Instituto de Biologia da UnB.Nos primeiros testes, os pesquisadores identificaram que o Ômega-3 DHA pode induzir a piroptose, uma espécie de morte inflamatória e programada da célula de câncer. ➡️ O diferencial, segundo os responsáveis pelo estudo, é que esse processo rompe a membrana celular e estimula o próprio sistema imunológico a atacar o tumor. Nos testes feitos em laboratório, a substância matou células cancerígenas e não causou grandes efeitos nas saudáveis.🚨 IMPORTANTE: Os achados são iniciais, a partir de testes em laboratório, e a pesquisa ainda precisa passar por várias fases antes de uma conclusão "definitiva". Nos próximos passos, os testes devem ser feitos em animais – e só se derem certo, poderão ser feitos também em humanos.➡️ Se os resultados forem confirmados, o ômega-3 DHA pode se tornar um aliado dos tratamentos atuais de referência, como a quimioterapia.✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp.Pacientes com câncer têm direito a isenção de impostos, saque do FGTS e mais"A gente busca não substituir nenhum tratamento atual, de quimioterapia do câncer de ovário, mas sim apresentar possibilidades de moléculas adjuvantes", explica a imunologista e coordenadora do laboratório, Kelly Grace.Dentre os cânceres que afetam órgãos reprodutores femininos, o de ovário é o segundo que mais causa mortes no mundo. A doença é inicialmente assintomática – o que dificulta o diagnóstico precoce – e tem uma taxa de recorrência alta após a realização de tratamentos.A descobertaA coordenadora do Limi, Kelly Grace, conta que a descoberta foi uma surpresa. O laboratório pesquisa como a alimentação pode impactar o desenvolvimento tumoral há dez anos – mas os resultados com ômega-3 DHA em relação ao câncer de ovário foram inesperados.Gabriel Pasquarelli e Kelly Grace, pesquisadores responsáveis pelo estudo do Ômega-3 DHA no combate ao câncer de ovárioSecom UnB/Divulgação"A gente ficou bastante satisfeito com o resultado, mostrando que um suplemento de fácil acesso da população pode ter um efeito antitumoral importante", ressaltou ela.A pesquisa foi fruto do projeto de mestrado do imunologista Gabriel Pasquarelli, primeiro autor do artigo publicado sobre o estudo.Ômega-3 DHACápsulas de ômega-3, em imagem de arquivoPexels/ReproduçãoO ômega-3 DHA pode ser obtido na alimentação através do consumo de peixes de águas frias, como salmão, sardinha e atum.Além disso, pode ser também encontrado em óleos e sementes oleaginosas, ou mesmo na suplementação.O estudo sugere o consumo do ômega-3 DHA tanto como forma preventiva de diversos tipos de câncer, quanto como uma forma de tratamento aliada aos protocolos convencionais.Atualmente, a pesquisa está na fase pré clinica, onde a molécula de Ômega-3 DHA é insererida em camundongos com as células cancerigenas. O próximo passo é o estudo em seres humanos – mas Kelly Grace ressalta que precisam do investimento adequado para conseguirem avançar nas etapas da pesquisa."Agora, a gente depende de um financiamento para fazer esse estudo clínico que seria exatamente tentar verificar essa taxa de proteção em mulheres fazendo a quimioterapia com e sem o uso do Omega-3 DHA", explica."A gente busca parceiros para que possam financiar essa etapa para que de fato a gente consiga fazer essa transposição da pesquisa para a parte clínica, onde a gente poderia testar mesmo a atividade dessa molécula durante o tratamento contra o câncer de ovário."