O Bitcoin quase sempre provoca reações extremas: ou é descartado como fraude, ou abraçado como uma revolução a ponto de alguém dedicar a vida ao tema. Ao longo dos últimos 17 anos, porém, um padrão curioso se repete: muitos críticos ferrenhos acabam mudando de lado após enxergarem valor na primeira criptomoeda do mundo. O caminho inverso, por outro lado, é bem menos comum.Os chamados “arrependidos do Bitcoin” geralmente mudam de lado diante de um fato difícil de ignorar: o BTC se tornou um dos ativos mais valiosos do mundo, alcançando um valor de mercado de aproximadamente US$ 1,3 trilhão.Outro fator central é a capacidade recorrente do Bitcoin de se recuperar de quedas acentuadas que, em diversos momentos, foram tratadas como seu fim definitivo, apenas para serem seguidas por novas e expressivas altas.Por exemplo: após cair por três meses consecutivos entre março e maio de 2015, o BTC avançou 124% nos 12 meses seguintes. Já depois de recuar 55% entre agosto de 2018 e janeiro de 2019, o ativo valorizou 173% um ano depois.Essa resiliência é um dos principais elementos por trás da mudança de opinião de muitos detratores. Afinal, o Bitcoin já foi declarado “morto” centenas de vezes e, ainda assim, continua voltando.A seguir, veja alguns dos casos mais emblemáticos de conversão total ou parcial ao Bitcoin:Donald TrumpA mudança de opinião sobre Bitcoin do presidente dos Estados Unidos é um dos casos de maior destaque. Em 2021, durante o intervalo entre seus dois mandatos, Donald Trump disse sem meias palavras: “Bitcoin me parece uma farsa. Não gosto disso.”Contudo, sua conversão foi absoluta. A aproximação de Trump com o setor culminou em um marco simbólico: sua participação na Bitcoin Conference, em 27 de julho de 2024, o maior evento global dedicado ao ativo. Na ocasião, ele anunciou que iria criar um marco regulatório para o setor e prometeu nunca vender a reserva de Bitcoin do governo federal.Quando Trump foi eleito em novembro de 2024, foi esse fator que fez o mercado aquecer de forma muito intensa, levando o Bitcoin a cruzar pela primeira vez a barreira dos US$ 100 mil. O republicano chegou a lançar sua própria memecoin e, junto com os filhos, criou uma empresa de criptomoedas, a World Liberty Financial.Além disso, concedeu perdões a membros da indústria, como Changpeng Zhao, fundador da Binance, e personagens históricos, como Ross Ulbricht, fundador da Silk Road.Larry Fink, CEO da BlackRock Larry Fink, CEO da BlackRock, chegou a associar o Bitcoin a lavagem de dinheiro no passado. Porém, sua conversão foi completa. A empresa que comanda é a gestora do maior ETF de Bitcoin à vista do mundo, tornando o produto um dos principais termômetros do sentimento do mercado.Durante um evento do New York Times, Fink chegou a dizer que seu conceito sobre o Bitcoin foi “um exemplo público muito evidente de uma grande mudança” em suas opiniões. O executivo já falou que o “Bitcoin é maior do que qualquer governo”, o que demonstra sua total mudança de opinião.Kevin O’Leary, jurado do Shark TankJurado mais bombástico do Shark Tank nos Estados Unidos, Kevin O’Leary classificou o Bitcoin em 2019 como “lixo” e disse que o ativo era “imprestável”. Mas a visão do empresário mudou, tendo admitido em 2021 que passou a ter 3% do seu portfólio em criptomoedas, incluindo BTC.“Na verdade, eu acho que as moedas digitais estão aqui para ficar. A maioria das pessoas que as desejam manter, estão dispostas a lidar com a volatilidade. Estou investindo, estou holdando 3% em Ethereum e Bitcoin”, afirmou O’Leary.Kevin O’Leary manteve sua fé em cripto mesmo após ter sido contratado pela FTX para fazer propaganda da corretora e ter perdido todo este dinheiro, já que foi pago em ações da empresa.No final de 2025, o jurado do Shark Tank voltou a defender o ativo. “Eu invisto em Bitcoin, pois acredito em cripto e acredito em sistemas de pagamento digital”.Já em 2026, O’Leary disse estar apostando que o verdadeiro valor de longo prazo do mercado de criptomoedas e IA não está apenas nos tokens, mas na infraestrutura que sustenta essas tecnologias.Em entrevista ao CoinDesk, ele revelou que controla hoje cerca de 26 mil acres de terra em diferentes regiões, destinados a viabilizar projetos ligados a mineração de Bitcoin, computação em nuvem, inteligência artificial e data centers em grande escala.Mark Cuban, jurado do Shark TankO investidor bilionário Mark Cuban, que também é jurado do Shark Tank, deu uma guinada notória em direção ao Bitcoin. Mas, antes disso, ele chegou a dizer em 2019 que preferia ter bananas a bitcoins, já que as frutas teriam pelo menos alguma utilidade. No ano seguinte, disse que o Bitcoin era mais uma religião do que uma reserva de valor e que não teria nenhum valor em um cenário de caos.Anos depois, o discurso tinha virado em 180 graus. Em 2024, Mark Cuban disse que investiria todos os dias no Bitcoin no lugar do ouro, como maneira de se proteger da inflação. “O Bitcoin é impulsionado apenas pela oferta e pela demanda. Serão apenas 21 milhões deles [BTC]. Quanto mais pessoas compram e menos pessoas vendem, isso significa que o preço vai subir”.Em 2025, Cuban reafirmou em entrevista à revista Wired que preferia Bitcoin ao ouro. Em um cenário hipotético de intensa crise econômica nos Estados Unidos, o empresário destacou que as características da criptomoeda a tornam sua escolha ideal para a preservação de patrimônio.“As pessoas veem o Bitcoin como uma versão melhor do ouro, e eu concordo com isso”, disse Cuban. O empresário argumentou que, em um eventual colapso do dólar, o ouro se tornaria um ativo inseguro devido à sua natureza física e tangível, que impõe riscos e dificuldades logísticas no transporte de barras e moedas.Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Este é um caso no qual o arrependido não quer voltar atrás inteiramente. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, disse em setembro de 2017 que o Bitcoin era uma fraude “pior do que a mania das tulipas“, referindo-se a mais famosa pirâmide do mundo.Anos depois, ele confessou ter se arrependido de classificar o Bitcoin como “fraude”, mas seguiu crítico ao ativo. Em contrapartida, passou a demonstrar grande entusiasmo pela tecnologia blockchain, criada por Satoshi Nakamoto para viabilizar o Bitcoin.Mas acima da opinião pessoal, estão as ações profissionais: o JPMorgan lançou sua própria criptomoeda, passou a estudar a possibilidade de seus clientes negociarem BTC em uma plataforma gerida pelo banco e elogiou o ativo como porto seguro na atual crise gerada pela guerra que Estados Unidos e Israel travam contra o Irã.Ray Dalio, fundador do Bridgewater Ray Dalio, fundador da Bridgewater, um dos maiores fundos de investimento do mundo, com mais de US$ 125 bilhões sob gestão, afirmou em 2017 que o Bitcoin era uma bolha. Aos poucos foi mudando o tom totalmente negativo, mas sempre se mantendo com um pé atrás.O gestor bilionário já revelou que 1% do seu patrimônio está em Bitcoin e recomendou que as pessoas mantenham 15% de seus portfólios em BTC e ouro. Primo RicoO influencer Thiago Nigro, conhecido como Primo Rico, crava: seu maior arrependimento no campo dos investimentos foi ter vendido Bitcoin em 2014. “Meu maior acerto em investimentos: Comprar BTC em 2014. Meu maior erro em investimentos: Vender BTC em 2014”, escreveu no X.Nigro detalhou que perdeu uma valorização de 38.500%, que equivale a uma alta de 400 vezes sobre o aporte inicial, ao ter se desfeito do BTC quando o ativo ainda engatinhava. Em 2025, Nigro voltou a investir fortemente no Bitcoin, com dois aportes de US$ 1 milhão.Samy Dana Durante anos, o economista Samy Dana se posicionou como uma das vozes mais críticas ao Bitcoin, frequentemente em seus comentários na TV Globo. Ele sustentava que o ativo carecia das propriedades de moeda e reserva de valor, classificando-o reiteradamente como uma bolha.Em 2017, o economista Samy Dana foi ao Jornal da Globo explicar por que o bitcoin não era moeda:"Não é reserva de valor.""Não é instrumento de troca."Desde então:Real perdeu 35% do seu valor$BTC valorizou 1.900% pic.twitter.com/Kb1PmpiJAb— Felipe Demartini (@namcios) January 11, 2026Em 2021, Dana admitiu ter errado ao ter classificado o Bitcoin como um bolha que iria estourar e não iria voltar a subir. “Teve uma bolha, eu achava que não ia subir depois e subiu. Errei”, disse Dana, ao responder pergunta feita por um espectador. Ainda em 2021, Dana passou a recomendar exposição ao ativo.Ciro GomesCiro Gomes, que já comandou o Ministério da Fazenda e disputou a presidência do Brasil, reconheceu publicamente que o Bitcoin o surpreendeu:“Está avançando para um negócio impressionante. Foi muito mais além — eu já disse que não ia dar certo e tal… mordi a língua. Está surgindo uma moeda privada, de curso internacional razoável, reserva de valor razoável”, disse em 2021, durante participação no Flow Podcast.Não cometa o mesmo erro que os “grandes especialistas”. Compre bitcoin. Baixe o app do MB e invista agora.O post Hall dos arrependidos: 9 figurões que atacaram o Bitcoin e depois mudaram de ideia apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.