Genética pode influenciar a eficácia de canetas emagrecedoras, diz pesquisa

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Uma nova pesquisa indica que mutações em dois genes específicos, responsáveis por regular a fome e o processamento de alimentos, influenciam a eficácia de tratamentos contra a obesidade com fármacos como o Mounjaro e o Wegovy, popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”. Indivíduos que possuem essas alterações genéticas tendem a apresentar uma redução de medidas mais acentuada.Os dados foram divulgados na última quarta-feira (8) na revista científica Nature, mostrando uma compreensão única na diferença entre os resultados clínicos: enquanto uns emagrecem drasticamente, outros podem sofrer com reações adversas severas, a exemplo de vômitos e enjoos.A pesquisa foi feita pelo departamento de Instituto de Pesquisa 23andMe, empresa de coleta genética. “O estudo demonstra o incrível poder da nossa comunidade de pesquisa colaborativa para promover o conhecimento científico sobre a variação genética humana”, disse Adam Auton, vice-presidente de Genética Humana do Instituto de Pesquisa 23andMe e um dos autores do estudo, em comunicado à imprensa.Leia tambémCâncer: casamento está associado à redução do risco da doença, diz novo estudoPesquisadoes ressaltam que isso não significa que casar previne o câncer, mas que solteiros precisam se manter atualizados sobre seus cuidados de saúdeA investigação, que cruzou dados de DNA com as experiências dos usuários, trouxe descobertas fundamentais sobre o impacto do perfil genético no resultado desses tratamentos:Eficácia no emagrecimento: Foi detectada uma mutação específica no gene GLP1R, uma troca mínima na sua sequência que altera a proteína produzida, capaz de potencializar significativamente o efeito das substâncias.Enjoos e mal-estar: A pesquisa estabeleceu conexões entre alterações nos genes GIPR e GLP1R e o surgimento de episódios de vômito ou náusea em quem utiliza essas terapias.Reações por tipo de remédio: Cientistas notaram que os efeitos adversos ligados ao gene GIPR ocorrem apenas com a tirzepatida (encontrada no Mounjaro e no Zepbound), sem atingir quem faz uso da semaglutida (presente no Ozempic e no Wegovy).Segundo o estudo, profissionais de saúde destacam que o sucesso dessas terapias não depende apenas da genética, mesmo que ela tenha seu peso; fatores como a idade, o sexo e o histórico étnico do indivíduo também moldam os resultados.No Reino Unido, as estatísticas apontam que o consumo de canetas emagrecedoras alcançou a marca de 1,6 milhão de usuários no último ano, e a tendência é que esse volume se torne ainda maior.O acesso a esses produtos ocorre majoritariamente pelo mercado privado, sendo os principais canais as plataformas online. Já o NHS, órgão público de saúde britânico, limita a oferta de remédios como Mounjaro e Wegovy a casos muito específicos, atendendo apenas uma parcela reduzida de obesos que possuem doenças associadas.Leia tambémLeite em pó, garrafa ou caixinha: qual é mais saudável? Nutricionista explicaProcessamentos térmicos e datas de validade também estão associadas ao melhor tipo da bebidaTestes clínicosVale frisar que as taxas de redução de massa corporal apresentam variações conforme o medicamento utilizado. De acordo com testes clínicos, o uso de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) resulta em um decréscimo médio de 20%, enquanto a semaglutida (presente no Wegovy e no Ozempic) promove uma baixa de aproximadamente 14%.Na pesquisa publicada recentemente, mais de 15 mil pacientes tiveram acompanhamento durante oito meses enquanto utilizavam os medicamentos, e os cientistas chegaram a uma perda média de peso total de 11,7%.Apesar do número, o desempenho foi heterogêneo: houve casos de eliminação de até 30% da massa inicial, contrastando com usuários que tiveram pouco ou nenhum resultado prático.Além de fazer o tratamento com as canetas emagrecedoras, os participantes também adquiriam testes genéticos da 23andMe, que cruzar milhões de informações genéticas. A partir daí, os cientistas conseguiram traçar um perfil que mostra como certas variações no organismo facilitam ou dificultam o emagrecimento durante o tratamento.“O estudo identificou uma variante genética associada à perda de peso, que também está ligada à ocorrência de náusea”, afirmou Ruth Loos, professora da Universidade de Copenhague, em comentários sobre a pesquisa.Segundo ela, essa marca genética está ligada a dois resultados simultâneos: uma maior redução de quilos e, ao mesmo tempo, a sensação de enjoo.Além disso, a pesquisa também apontou que outra variante ligada ao efeitos colaterais, como de vômitos e enjoos, em quem se trata com tirzepatida. Esse fator pode fazer com que cerca de 1% dos pacientes sofram com crises severas de vômito, um índice quase 15 vezes superior ao que se vê normalmente.Leia tambémArtemis II: conheça os efeitos do espaço nos músculos, ossos, cérebro e até o DNAMissão histórica da Nasa chegou ao fim nesta sexta-feira, com pouso após dez dias no espaço É importante ressaltar que as conclusões desse estudo ainda não foram confirmadas por outros trabalhos científicos, o que é um passo necessário para validar os dados.Em pesquisas feitas anteriormente, cientistas descobriram que o público feminino tem uma probabilidade duas vezes maior de eliminar 15% da massa corporal com o Mounjaro do que o masculino. Outros perfis que costumam apresentar melhores resultados no emagrecimento são os mais jovens e pessoas de etnia branca ou asiática, embora a ciência ainda não saiba explicar o porquê.Fatores práticos, como o tempo de tratamento, a dosagem escolhida e o tipo de fármaco, também interferem diretamente no sucesso da terapia. No futuro, a ideia é que o cruzamento do mapa genético com o histórico do paciente permita definir o remédio ideal para cada caso, dentro do conceito de medicina de precisão.The post Genética pode influenciar a eficácia de canetas emagrecedoras, diz pesquisa appeared first on InfoMoney.