Esgotamento da cota da China deve pressionar arroba do boi, diz CEO da JBS (JBSS32)

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O esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China entre junho e julho pode levar a uma acomodação — e até queda — nos preços da arroba do boi no segundo semestre, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO da JBS (JBSS32)Segundo o executivo, o fim da janela de embarques para o mercado chinês deve coincidir com um aumento da oferta de gado no Brasil, especialmente com a entrada dos animais de confinamento. “Estamos vendo duas coisas ao mesmo tempo: possível redução do fluxo para a China e aumento da oferta doméstica”, disse, em conversa com jornalistas durante o 12th Annual Brazil Investment Forum, do Bradesco BBI.Hoje, a China responde por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina — um nível de dependência que ainda não é compensado por outros mercados. Embora países do Sudeste Asiático estejam ampliando suas compras, o crescimento não ocorre na mesma velocidade. “Os mercados estão crescendo, mas não na taxa necessária para substituir a China no curto prazo”, afirmou o diretor-presidente da JBS.Além disso, há um volume adicional de carne já embarcado que deve entrar nas cotas atuais, o que pode ampliar a oferta disponível no mercado global no momento de virada do ciclo. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "JBSS32", "JBSS32" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "d5b67f6"} ); Apesar da possível pressão sobre os preços do boi gordo, o CEO da JBS destacou que a demanda global por proteína segue robusta. “Somos muito positivos com a demanda”, disse, ponderando que o ajuste tende a ocorrer mais pelo lado da oferta no Brasil.De acordo com dados do Ministério do Comércio da China e da Administração Geral de Alfândegas do país (GACC), complilados pela Abiec, o Brasil já consumiu 33,64% da cota para China nos dois primeiros meses de 2026.Os focos de aftosa na China e a possível redistribuição de cotasOs recentes casos de febre aftosa na China adicionam uma camada extra de incerteza ao mercado, mas ainda é cedo para medir impactos concretos sobre o comércio global de carne bovina, disse o executivo. Segundo Tomazoni, qualquer efeito mais relevante dependerá da extensão do problema sanitário e das eventuais respostas das autoridades chinesas. “Eu não sei a extensão desses focos de aftosa. É difícil fazer um juízo agora sobre o tamanho desse impacto”, afirmou.Uma das possibilidades monitoradas pelo mercado é a eventual redistribuição de cotas de importação, caso outros países não consigam cumprir seus volumes diante de restrições sanitárias. Nesse cenário, o Brasil poderia se beneficiar, mas isso só deve ficar claro mais para o fim do ano.“Há muitos questionamentos sobre a possibilidade de outros países não cumprirem suas cotas e o Brasil se beneficiar, mas isso vai demorar para sabermos. Os países vão tentar cumprir suas cotas e só depois, no final do ano, será possível ver quem conseguiu e quem não conseguiu”, explicou.Por ora, o tema segue no radar, sem alterar de forma imediata a dinâmica central do mercado, que continua mais dependente da demanda chinesa e da evolução da oferta global.