O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, admitiu, nesta terça-feira (7) as dificuldades do partido e do pré-candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado, em romper a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições 2026. No entanto, segundo ele, a alternativa aos dois nomes é importante mesmo que signifique a derrota já no primeiro turno.“É importante que se tenha a alternativa nem que seja para perder”, disse Kassab em painel no 12º Brazil Investment Forum, realizado pelo Bradesco BBI em São Paulo (SP). “Se for para o segundo turno, com 15%, vamos chamar alguém e vamos dizer (que iremos) apoiar por isso, isso e isso”, admitiu o líder partidário.Como sinal de mostrar a competitividade frente à polarização, Kassab colocou um teto de 10% nas pesquisas eleitorais para Caiado até o final de junho e o início de julho, quando a campanha eleitoral “começa para valer”. Para crescer dos atuais 3%, em média, até os dois dígitos, Kassab aposta na conquista de fatias da rejeição dos principais adversários e no eleitor que vota em branco ou nulo.“Os votos de Lula e Flávio Bolsonaro têm rejeição maior e 40%, 43% dos eleitores não querem nenhum dos dois. Não é possível que não tenha alternativas ao segundo turno. Se não tiver, paciência. Sou um democrata e tenho que respeitar”, afirmou. “O voto branco e nulo tende a diminuir se houver uma proposta que atenda o eleitor e isso que estamos dispostos a fazer”.Emenda impositiva: ‘excrecência no Congresso‘Ex-deputado federal, Kassab fez duras críticas ao sistema atual de emendas impositivas no Congresso Nacional e prometeu que essa forma de atender parlamentares acabará em um eventual governo de Caiado. “Emenda impositivas só Caiado pode acabar e vai acabar mesmo. É uma excrecência, um sistema que (Jair) Bolsonaro criou e Lula não acabou”, afirmou“Só se discute emenda parlamentar e a política, infelizmente, está perdendo a credibilidade. Faltam discussões de política pública e 80% da energia do Congresso são com questões paroquiais e emendas”, completou.Segundo o presidente nacional do PSD, R$ 60 bilhões do orçamento são gastos anualmente com shows, eventos e para recapear ruas de bairros a partir de emendas parlamentares impositivas. Esse recurso, na avaliação de Kassab, poderia ser investido por prefeituras e o valor deveria ser destinado pela União para infraestrutura, por exemplo.Para ele, Lula e Flávio Bolsonaro, se eleitos, terão uma base fisiológica que lhes garantirão a governabilidade, porque irão atender o Congresso e não acabarão com as emendas impositivas. “A alternativa existe para que emendas sejam direcionadas para programa de governo e não para atender programas pessoais. Qualquer presidente que quiser poderia acabar com emenda impositivas porque teria a legitimidade das urnas, mas não acredito que Flávio e nem Lula possam fazer”, afirmou.Kassab defendeu mudanças na legislação para a adoção do voto distrital, e reformas no Judiciário, com a adoção de idade mínima de 60 anos para ministros em Tribunais Superiores e administrativa para valorizar o servidor.“Os três poderes estão com problemas, as principais lideranças estão com dificuldades e parte das lideranças envolvidas tem questões que fazem com que a sociedade esteja descrente”, concluiu.