Temer exalta legado de seu governo em fala na APM: ‘Nós entregamos o país em ordem’

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O ex-presidente Michel Temer exaltou nesta terça-feira (7) o dados econômicos e a sua gestão durante o 68º Congresso Estadual de Municípios, promovido pela Associação Paulista de Municípios (APM), evento cujo foco central é o debate sobre a autonomia das cidades, a revisão do Pacto Federativo e os desafios das eleições que se aproximam.“Eu recuperei o PIB que era negativo, e entregamos com 1,8 positivo, eu diminuí o juros de 14,5% pra 6,5, da inflação de 10.6% para 2,75%. Nós entregamos o país em ordem. Fizemos uma transição pacífica que trouxe exemplos para o país”, disse.O encontro da APM, que ocorre entre segunda (6) e quarta-feira (8), reúne autoridades para discutir a relação das cidades com os governos estadual e federal. Sobre o tema principal do evento, Temer ressaltou que os municípios são “uma das figuras mais importantes do sistema federativo” e pediu para que prefeitos e vereadores se orgulhassem do cargo que ocupam.“Municípios são uma das figuras mais importantes do sistema federativo. Portanto, vocês, prefeitos, vereadores, devem orgulhar-se da funções que oculpam”, afirmou Temer.O ex-presidente criticou a sobreposição de regras de outras esferas sobre as cidades. “Se o município cuida de suas peculiaridades locais, como uma lei estadual vai uniformizar as peculiaridades de cada município dos estaduais?”, questionou. Para ele, o encontro da APM deve ir além da discussão de deveres: “Eu acho que esse Congresso poderia servir para trabalhar com uma ‘repartição de competências’, mas que exista também uma repartição de recursos“.Menos recursosA fala de Temer vai ao encontro da análise feita pelo presidente da APM, Fred Guidoni. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, na segunda-feira, Guidoni cobrou uma revisão urgente do pacto federativo, lembrando que a população vive e demanda serviços nas cidades, mas a maior parte dos impostos fica concentrada em Brasília.Segundo Guidoni, desde a Constituição de 1988, as prefeituras vêm assumindo cada vez mais obrigações — como o suporte à educação primária e a criação das Guardas Civis —, mas sem a contrapartida financeira. “O que a gente quer é que os municípios tenham uma autonomia maior, recebam mais desse bolo tributário e aí possam fazer frente às demandas que a sociedade tanto quer e precisa”, explicou.Outro ponto de alerta no Congresso é o impacto prático da reforma tributária. A APM apresentará um estudo detalhado sobre as contas públicas das cidades paulistas na próxima década. A incerteza sobre o novo modelo, inclusive, já tem levado alguns prefeitos a aumentarem o IPTU por receio de perda de receitas. Guidoni alertou que haverá “aqueles que ganham, aqueles que perdem”, cobrando atenção redobrada dos gestores com a arrecadação.Termômetro políticoAlém das pautas fiscais, o congresso no Anhembi serve como um termômetro para as eleições deste ano. Guidoni definiu o evento como um palco aberto de articulação, onde candidatos e lideranças podem “tentar convencer os prefeitos do melhor caminho e dos seus planos de governo”.Já nesta terça, Temer fez um apelo à moderação política. “A Constituição diz que o Brasil deve ser um Estado da paz interna, da solução pacífica de conflitos, e não da solução agressiva dos princípios”, alertou o ex-presidente.“As candidaturas têm o dever de apresentar projetos, e eu, eleitor, examino os projetos apresentados e digo: ‘eu concordo com esse projeto’. Então eu voto nesse candidato”, concluiu.