A missão Artemis 2 fez história ao levar quatro astronautas mais longe da Terra do que qualquer ser humano já esteve. Mas, enquanto o mundo celebrava o feito, uma pergunta incômoda voltou à tona: quanto custa tudo isso — e vale a pena?A resposta não é simples. A NASA tem um orçamento anual bilionário, e seu portfólio inclui desde telescópios espaciais até previsões de asteroides. Mas são os números por trás do programa Artemis que chamam a atenção — e alimentam críticas. As informações são da DW.Um banheiro de US$ 23 milhõesDurante os 10 dias de missão, muita atenção recaiu sobre um componente inusitado: o banheiro da Orion. Além de ter apresentado defeitos, ele custou cerca de US$ 23 milhões (aproximadamente R$ 117 milhões). O valor, embora astronômico para o contribuinte comum, é apenas uma fração dos custos totais.De acordo com um relatório do inspetor-geral da NASA de novembro de 2021, cada cápsula tripulada Orion custa cerca de US$ 1 bilhão para ser construída e lançada. Some-se a isso US$ 300 milhões pelo módulo de serviço europeu (que fornece energia e suporte à vida) e US$ 2,2 bilhões pelo foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial), incluindo seus propulsores auxiliares. A infraestrutura em solo, como os lançadores móveis, acrescenta mais US$ 570 milhões.Mergulhadores da Marinha, paraquedistas da Força Aérea e nadadores de resgate da Guarda Costeira dos EUA praticam técnicas de recuperação de astronautas e hardware usando um modelo de teste da espaçonave Orion – NASA / DivulgaçãoNo total, cada missão Artemis (da 1 à 4) custou cerca de US$ 4,1 bilhões. O relatório ainda estima que o projeto como um todo consumiu US$ 93 bilhões até 2025 — uma cifra que levou o próprio inspetor-geral a criticar a agência por falta de contabilidade confiável.Cortes e demissõesO cenário financeiro da NASA fica ainda mais complexo diante das pressões políticas. Em seu segundo mandato, o presidente Donald Trump propôs um corte de quase 25% no orçamento da agência para 2026. Embora a maioria das propostas tenha sido rejeitada pelo Congresso, o impacto foi sentido.Simultaneamente, a NASA foi afetada pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que mirou a redução de funcionários federais. Cerca de 4 mil empregados já deixaram ou deixarão em breve a agência — o equivalente a um quinto de sua força de trabalho anterior.Amit Kshatriya, Lori Glaze, Rick Henfling, Howard Hu e Shawn Quinn participaram da coletiva – Imagem: Reprodução/YouTube/NASAO valor intangívelApesar dos números, especialistas lembram que os ganhos científicos e tecnológicos da NASA vão muito além do que se pode medir em dólares. Inovações como espuma viscoelástica (usada em colchões), lentes resistentes a arranhões e purificadores de ar domésticos nasceram de pesquisas espaciais. O retorno, nesses casos, é indireto e de longo prazo.Ainda assim, a pergunta persiste: em um mundo com tantas urgências terrestres, faz sentido investir bilhões para voltar à Lua? Para a NASA, a resposta é sim. Para os críticos, o debate está longe de terminar.O post Os bilhões por trás da Lua: quanto custou a missão Artemis 2 apareceu primeiro em Olhar Digital.