ETF que investe na Argentina sobe 34% em 6 meses; entenda

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ETF que investe na Argentina sobe 34% em 6 meses; entendaA melhora recente dos indicadores econômicos da Argentina voltou ao radar dos investidores e já aparece com força no mercado, em especial em um ETF temático que investe em empresas do país vizinho.Dados recentes mostram que a Argentina registrou crescimento do PIB de 4,4% em 2025, além de uma queda relevante na pobreza, que atingiu o menor nível em sete anos. Ao mesmo tempo, a inflação desacelerou de forma significativa e o governo tem conseguido entregar superávits fiscais consecutivos.Esse conjunto de sinais tem reforçado a percepção de que a economia argentina pode estar entrando em um novo ciclo, ainda que alguns desafios permaneçam.No mercado, esse movimento tem sido rapidamente precificado. Um exemplo é o desempenho do ETF ARGE11, da Investo, que acumula alta de cerca de 57% em seis meses, refletindo a reprecificação dos ativos locais. Só em março, o ativo registrou avanço de 10,9%.Do trade tático à tese de médio prazoQuando o ARGE11 ganhou destaque no fim de 2025, o movimento estava muito associado ao efeito imediato das eleições e à expectativa de continuidade das reformas econômicas. Agora, a narrativa começa a mudar.Segundo relatório recente da Investo, a valorização mais recente do ETF tem sido impulsionada principalmente por fatores domésticos, como o avanço do ajuste fiscal e a melhora na percepção de risco do país.“A continuidade do ajuste fiscal do governo Milei, com entrega de superávits primários, tem reforçado a credibilidade da política econômica”, destaca a casa.Além disso, a inflação vem desacelerando na margem, o que fortalece a leitura de que o pior momento do ciclo pode ter ficado para trás.O que está por trás da alta do ETF da InvestoO ETF ARGE11 oferece exposição a empresas que geram a maior parte de suas receitas na Argentina, funcionando como um termômetro direto da economia local.Na Bolsa de Buenos Aires e nos mercados internacionais, companhias como YPF, Banco Macro e Grupo Financiero Galicia vêm registrando fortes valorizações desde o início do novo ciclo político.Segundo Danilo Moreno, analista da Investo, esse movimento reflete uma mudança importante na percepção dos investidores.“A trajetória de Javier Milei reforça a expectativa de continuidade das reformas econômicas e do compromisso com uma agenda mais liberal, o que tem reacendido o otimismo dos investidores em relação à Argentina”, afirma.Para ele, o país ainda oferece uma assimetria interessante.“Uma alocação tática em Argentina parece mostrar uma boa assimetria de retornos para os próximos anos caso o governo Milei consiga implementar sua agenda de reformas estruturantes”, completa.Nem tudo está resolvidoApesar da melhora dos indicadores, o cenário ainda exige cautela.O crescimento recente do PIB da Argentina, por exemplo, tem sido puxado por setores específicos, enquanto o consumo interno segue mais fraco, um sinal de que a recuperação ainda não é homogênea.Além disso, os avanços dependem da continuidade das reformas e da manutenção da disciplina fiscal, fatores que ainda podem gerar volatilidade ao longo do caminho.Um mercado ainda fora do radarFato é que mesmo após a forte valorização recente, o mercado argentino continua relativamente sub-representado nos portfólios globais.Fora dos grandes índices internacionais e com baixa participação de capital estrangeiro, o país ainda é visto como uma aposta tática, mas com potencial de ganhar espaço caso o cenário macroeconômico continue evoluindo.Nesse contexto, os ETFs seguem como uma das formas mais acessíveis de capturar esse movimento.Ao combinar exposição direta às empresas locais com negociação em Bolsa, o ARGE11 permite ao investidor brasileiro acessar um mercado que, até pouco tempo atrás, estava praticamente fora do radar.E com a melhora dos fundamentos começando a substituir a euforia inicial, o desempenho recente do ETF sugere que a tese argentina pode estar entrando em uma nova fase.