MPRJ investiga empréstimos e investimentos de R$ 100 mi do Rioprevidência

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O MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) abriu uma investigação sobre empréstimos consignados e investimentos de mais de R$ 100 milhões do Rioprevidência a instituições financeiras não credenciadas.O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do órgão oficiou o fundo de previdência carioca, nesta terça-feira (7), para que sejam prestadas informações.O ofício determina que, dentro de cinco dias, o Rioprevidência deve encaminhar estudos técnicos, atas de reuniões e procedimentos administrativos que embasaram as aplicações em instituições financeiras não credenciadas e nos fundos Linea Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Prazo Longo Responsabilidade Limitada, R CAP Soberano e R CAP Alocação.A apuração ocorre em meio a uma investigação paralela da Polícia Federal contra a aplicação de cerca de R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso em uma fase da Operação Barco de Papel.Os investimentos apurados pelo MPRJ foram realizados nos dias 24 e 29 de dezembro de 2025, após o próprio Ministério Público solicitar ao órgão que adotasse medidas para proteger o patrimônio previdenciário do Estado e recuperar eventuais perdas decorrentes da liquidação extrajudicial do Banco Master.Além do encaminhamento das informações, o MPRJ quer que o órgão, no mesmo prazo, informe a real situação dos empréstimos consignados realizados por servidores e pensionistas junto ao Credcesta, administrado pelo Banco Master.O Ministério Público ainda pede que o Rioprevidência esclareça se foi disponibilizado outro instrumento de crédito, cuja carteira de direitos creditórios esteja ligada à garantia de uma ou mais estruturas negociais levadas a efeito pelo fundo de previdência, o Banco Master ou outros agentes financeiros, como o banco Pleno, que também se encontra em liquidação extrajudicial.Em caso positivo, o MPRJ requer a imediata interrupção de novos contratos, em razão da necessidade de proteção do patrimônio previdenciário e proteção dos servidores e pensionistas.A CNN Brasil entrou em contato com o Rioprevidência e aguarda retorno. O espaço segue aberto. Leia Mais Caso Master: PF diz que R$ 429 mil em espécie foram apreendidos em operação Master: crise tem efeito-dominó, atinge 5 estados e gera alerta de R$ 30 bi Governo do RJ pode arcar com rombo no Rioprevidência em caso Master Investigação da PF e prisão de ex-presidenteNo último dia 3 de fevereiro, o então presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso em uma operação da PF (Polícia Federal) e da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro. No dia 19 de março, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve a prisão preventiva.Deivis é investigado por suspeita de fraudes em operações envolvendo o fundo de aposentadoria dos servidores do Rio de Janeiro e o Banco Master. Ele foi exonerado do cargo em 23 de janeiro após a primeira fase da Operação Barco de Papel, quando ele e ex-diretores do Rioprevidência foram alvos de mandados de busca e apreensão.Entre os elementos citados pelo ministro Carlos Pires Brandão, que negou o habeas corpus da defesa, estão o apagamento de imagens de câmeras de segurança, a retirada de caixas e malas de imóveis ligados ao investigado e a movimentação de bens de alto valor. Para Brandão, esses fatos indicaram risco de interferência na investigação, o que justificou a manutenção da prisão.A investigação da PF, iniciada em novembro de 2025, apura um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.São apurados crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.O BC (Banco Central) determinou a liquidação do Banco Master em 19 de novembro de 2025, interrompendo as operações da instituição.À época, o Rioprevidência afirmou o aporte de R$ 960 milhões no banco, mas garantiu que os pagamentos de aposentados e pensionistas não seriam afetados.“O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do Estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte pela receita de royalties e participações especiais”, destacou o órgão à época.Segundo o fundo de pensão, os investimentos foram feitos entre outubro de 2023 e agosto de 24, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.