Uma forma de pagamento antiga está voltando com força no meio rural. O barter, ou operação de troca, é uma modalidade de financiamento onde o produtor adquire sementes, fertilizantes e defensivos e dá, como pagamento, uma parte da futura produção. Sem a necessidade de dinheiro imediato a modalidade ajuda no custeio da próxima safra. Em entrevista à CNN o coordenador técnico comercial da cooperativa Comigo, Beckembauer Ferreira, detalhou o cenário de gestão de riscos sobre os quase 14 mil cooperados, agricultores e pecuaristas, e uso do barter. “Diante da instabilidade, e de margens cada vez mais apertadas, a regra é não perder o foco na produtividade investindo com cautela e ainda mais planejamento”, diz o coordenador. Uma das ações da Comigo é importar os fertilizantes e revender aos cooperados. A quinta maior cooperativa do país diz que não se antecipa a repassar os aumentos aos cooperados, como já acontece em alguns setores. “Vamos continuar fazendo o possível para tentar diminuir os custos da atividade agropecuária e garantir tanto a produção quanto a produtividade. Novas compras, nos preços atuais e mais elevados, devem começar só a partir de julho com o planejamento da safra de verão 2026/27.” Leia Mais Ministério e CVM fortalecem acesso a capital no agro Cofco fecha crédito de US$435 mi vinculado a metas sociais Colheita de soja e milho da Capal entra em fase final “Os custos, tanto dos insumos quando dos financiamentos, estão muito elevados enquanto as commodities seguem com preço baixo. Mas pode ser que daqui há dois meses esse cenário mude. Por isso a compra de insumos deve ser feita com cautela. Se comprados no ‘valor de hoje’ esse preço não vai mudar e pode pesar muito na conta”. Para facilitar o acesso a insumos essenciais são oferecidas três modalidades de pagamento aos cooperados: à vista, a prazo em reais ou em barter, que na tradução literal significa permutar e se refere a troca direta por parte da safra. Na prática o produtor fixa antecipadamente o preço do grão que será entregue na colheita e garante o insumo hoje, sem exposição às oscilações das taxas de crédito. Por isso, antes mesmo da guerra mas já com as taxas elevadas de juros, a modalidade de barter foi a que mais cresceu dentro da Cooperativa Comigo: 40% das aquisições de insumos nesse ciclo estão sendo feitas por troca ante os 10% em períodos de maior estabilidade econômica, segundo o coordenador. A escolha entre as três opções de financiamento não é feita ao acasoA equipe técnica da cooperativa faz uma análise individualizada para cada produtor: “a equipe agronômica, que está mais próxima do cooperado, no dia a dia e vive aquele momento, que tem a noção clara de qual é a melhor opção para e orienta o produtor”. Isso significa a análise individual dos talhões com nível de fertilidade do solo, necessidade real de tratamento de sementes e potencial produtivo de cada variedade. Apesar de relatos de vendas aquecidas de insumos, tentando antecipar e se proteger de novos aumentos, Beckembauer ressalta que os cooperados são orientados a evitar decisões precipitadas. “Todo negócio feito ‘afoito’ é perigoso. A gente deve planejar muito bem para tomar as melhores decisões”. O coordenador técnico de compras cita algumas das recomendações práticas que tem sido feitas aos cooperados: Ureia: não comprar. O Oriente Médio, principal fornecedor do insumo, atravessa extrema instabilidade que mantém o preço elevado demais. “Não é o momento de adquirir esse produto.” Fósforo: antecipar a compra. O custo da fonte fosfatada segue em alta devido ao fechamento de fábricas e ao custo elevado do enxofre na produção. A recomendação é garantir o produto antes de novas altas. Cloreto de potássio: dentro da normalidade. Sem alta expressiva de preço até o momento, não há urgência.Por que o dólar é importante para o agro brasileiro?