Exportações de arroz crescem 114% no primeiro trimestre

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As exportações brasileiras de arroz cresceram 114% no primeiro trimestre de 2026. De janeiro a março, 685 mil toneladas de arroz (base casca) foram embarcadas, frente a 281 mil toneladas enviadas no mesmo período de 2025. A receita cresceu 55%, para US$ 159,7 milhões no primeiro trimestre do ano.O levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indica que Venezuela, Senegal e México foram os principais destinos do arroz brasileiro.“Os meses de janeiro a março compreendem a entressafra do arroz. Nesse período em 2025, os estoques estavam baixos por causa das enchentes do ano anterior no Rio Grande do Sul. Com a safra maior em 2025, o Brasil retomou o fluxo normal de embarques neste ano. Também houve recuperação das vendas aos Estados Unidos, mercado estratégico para o arroz beneficiado brasileiro, especialmente o polido, de maior valor agregado”, destacou a gerente de Exportação da Abiarroz, Beatriz Sartori. Leia Mais Arrozeiros pedem urgência ao Ministério da Agricultura para conter crise Após anos de alta,demanda de fertilizantes no Brasil tende a recuar em 2026 Brasil vai plantar menos trigo e importar mais: impacto chega ao consumidor O arroz beneficiado pela indústria, que corresponde à metade do volume total exportado, registrou aumento de 106% dos embarques, totalizando 349,5 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 75,4 milhões, incremento de 21%.Para a gerente de Exportação da Abiarroz, o descompasso entre o aumento de volume e de receita pode ser explicado pela alta oferta do produto no contexto global, o que consequentemente reflete no preço do grão.“O preço do arroz sofreu forte queda, motivada pela volta da Índia ao comércio internacional em meio a uma safra recorde. O país asiático havia restringido as exportações de alguns tipos de arroz para recompor seus estoques internos, mas essa restrição foi derrubada”, justifica Beatriz.Importações também crescemO Brasil comprou, no primeiro trimestre, 386 mil toneladas de arroz (base casca), com desembolso de US$ 85 milhões. Isso representa um aumento de 7% no volume importado e uma queda de 28,5% no valor, quando comparado ao mesmo período do ano passado. A maior parte do montante importado, 94%, corresponde a arroz beneficiado.A cotação do arroz travou as negociações entre produtores e indústria na safra 2025/2026. O custo elevado, alavancagem de produtores das regiões produtoras do sul do país e concorrência de países como o Paraguai e a Índia pressionaram os preços da saca para baixo. O volume de exportações representa o aproveitamento do amplo estoque.Nos últimos meses, iniciativas foram propostas para enfrentar a possível crise no mercado. Entre elas estão a recomendação de redução da área plantada para a próxima safra, uma das buscas por novos mecanismos de comercialização e o estímulo às exportações.Outra proposta discutida pelo setor envolve o alongamento das dívidas de custeio dos produtores. A medida pode ajudar a distribuir os pagamentos ao longo do ano e reduzir a pressão de vendas logo após a colheita, período em que a oferta costuma ser maior e os preços tendem a cair.Atualmente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA Esalq/USP indica R$ 62,88 por saca de 50 kg de arroz. Valor superior ao início da colheita, porém, ainda inferior ao considerado ideal pelos produtores, cerca de R$ 80,00 por saca.