LVMH relata vendas menores e guerra frustra retomada no mercado de luxo

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A gigante francesa do luxo LVMH afirmou que a guerra no Oriente Médio reduziu em pelo menos 1% as vendas totais do conglomerado no último trimestre, devido à queda nos gastos na região do Golfo. Além disso, a diminuição do número de turistas na Europa também teria contribuído para o resultado negativo.A notícia da LVMH, a primeira grande empresa de luxo a divulgar os resultados do primeiro trimestre, deve aumentar as preocupações dos investidores sobre o impacto da guerra no setor de luxo, avaliado em US$ 400 bilhões. Nesta segunda-feira (13), as ações da LVMH e as da Kering, dona da Gucci, negociadas nos EUA, apresentaram queda.As vendas globais trimestrais da empresa proprietária de marcas como Louis Vuitton e Dior, joias Bulgari e Hennessy, aumentaram 1% quando ajustadas às flutuações cambiais, abaixo das estimativas dos analistas de um aumento de 1,5%, de acordo com o consenso da Visible Alpha.A diretora financeira do grupo, Cecile Cabanis, afirmou que o conflito no Oriente Médio não melhorou desde a grave interrupção das atividades em centros comerciais no início da guerra. “O que vemos hoje é que a demanda continua muito baixa”, declarou. Leia Mais Análise: Irã usa Estreito de Ormuz para pressionar Estados Unidos Meta deve superar Google em receita de anúncios digitais pela 1ª vez Varejo de moda deve faturar R$ 63 bilhões durante outono e inverno de 2026 A guerra no Oriente Médio desacelera as chances de uma forte recuperação do mercado de luxo. A Reuters informou que as vendas em shoppings de Dubai caíram até 50% desde os ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro. As vendas de carros de luxo também estão sendo afetadas.Cabanis comentou que o fluxo de clientes nos shoppings de uma região que representa 6% do faturamento da LVMH havia caído inicialmente entre 30% e 70%, citando 50% como média.“O que você precisa levar em consideração é que o Oriente Médio é um mercado bastante lucrativo. Se você perder 1 euro em vendas, provavelmente perderá um pouco mais na margem de lucro”, acrescentou ela.O conflito também afetou as vendas na Europa, que caíram 3%, destacou a LVMH.“Já vimos dois ou três anos de crise (no setor de luxo)”, disse Laurent Chaudeurge, membro do comitê de investimentos da gestora de ativos BDL, com sede em Paris.“E justamente quando esperávamos sair da crise, ela nos atinge novamente no Oriente Médio”, continuou.A maioria dos analistas ainda afirma que 2026 será um ano de crescimento no setor de luxo, inclusive para a LVMH, após mais de dois anos de estagnação. A LVMH declarou que a maioria das categorias e regiões, incluindo a China, apresentou melhorias, desconsiderando o impacto da guerra.As ações do conglomerado, administrado e controlado pelo bilionário Bernard Arnault, caíram 26% desde o início do ano, tornando-o um dos piores desempenhos entre as grandes empresas europeias.Moda e couro em baixaAs vendas da principal divisão de couro e moda da LVMH, que no ano passado representaram cerca de 80% dos lucros operacionais, caíram 2% organicamente, abaixo das estimativas dos analistas de uma queda de 1%.Este foi o sétimo trimestre consecutivo de queda nas receitas da divisão.O desempenho individual das marcas Louis Vuitton e Dior, que está passando por uma reformulação sob o comando do novo fabricante Jonathan Anderson, ficou em linha com o da divisão como um todo, compartilhou a empresa.A demanda nos Estados Unidos foi o principal ponto positivo. As vendas nos EUA apresentaram um crescimento orgânico de 3%, informou a empresa, destacando que a guerra até o momento não afetou o ritmo de consumo no país.Os gastos com artigos de luxo nos EUA aumentaram constantemente durante o primeiro trimestre, de acordo com dados de cartões de crédito citados por analistas do Citi, com as pessoas gastando mais em compras individuais.No entanto, a confiança do consumidor nos Estados Unidos atingiu mínima recorde no início de abril, e os consumidores antecipam um aumento da inflação nos próximos 12 meses, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan publicada na sexta-feira (10).Análise: EUA tentam restringir fonte de receita do Irã | LIVE CNN