Em um evento sem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) citou o “espírito federativo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na ajuda aos Estados, no evento que garantiu crédito de R$ 2,57 bilhões em recursos a São Paulo. A linha de financiamento do Banco do Brasil (BBAS3) garantirá a parte paulista na obra do túnel Santos-Guarujá.“Estamos dando um avanço importante, sob o ponto de vista da federação, do diálogo, da questão democrática. O presidente Lula está dando um grande exemplo do espírito federativo e de ser o melhor parceiro de São Paulo”, disse Alckmin, que desconversou ao ser indagado sobre ausência de Tarcísio, adversário político governo federal.Considerada a principal obra de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o túnel entre os municípios litorâneos demandará R$ 6,8 bilhões em investimentos, R$ 5,2 bilhões dos governos federal e estadual. O restante virá da Mota-Engil, vencedora do certame de parceria público-privada para concessão por 30 anos das operações.Além do financiamento do banco público federal, com CDI mais juros de 1,59% ao ano, um ano de carência e 23 anos para pagar, os R$ 2,57 bilhões liberados ao governo paulista terão garantia da União. “Na prática, serão recursos somente do governo federal”, brincou Márcio França, ex-ministro dos Portos e Aeroportos e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.Segundo França, quando Tarcísio foi ministro da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro, sua proposta era privatizar o Porto de Santos e o vencedor ficaria responsável pela construção da obra. “Seria tudo privado, enquanto agora teremos uma obra pública”.Mais de R$ 13 bilhões do BNDESDurante o evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin citou outros recursos liberados pelo governo federal, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para São Paulo, em obras de infraestrutura, bandeiras políticas que Tarcísio usará na sua campanha à reeleição em São Paulo.“Lula é democrata e parceiro dos Estados. Só do BNDES foram R$ 6,4 bilhões para o trem intercidades, R$ 1,35 bilhão para o Rodoanel Norte, R$ 3,6 bilhões para trens e R$ 2,4 bilhões para obras da linha 2 do metrô”, citou.No evento, Tarcísio foi representando pelo secretário da Fazenda Samuel Kinoshita.Também presente no evento na capital paulista, o ministro da Fazenda, Dario Durigan garantiu que tem “um excelente relacionamento” com o governador paulista, mas criticou o governo Bolsonaro, do qual Tarcísio fez parte. Durigan lembrou da “conta” de quase R$ 30 bilhões deixada pela administração anterior para o atual governo referente à isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dado por Estados sobre combustíveis que seria bancada pelo governo federal.Segundo Durigan, a conciliação com intermédio do Supremo Tribunal Federal (STF) e que gerou o acordo para o pagamento pela União aos Estados é um exemplo de “questões pendentes, herdadas de más gestões do governo anterior” e que foram mudadas no atual governo.