Um grupo da Escola Politécnica (Poli) da USP realizou, no dia 4 de abril, o primeiro lançamento do foguete Elara II, impulsionado por um motor de propulsão híbrida, o Nêmesis.O marco faz parte do Projeto Jupiter, feito pelo grupo de extensão voltado ao desenvolvimento de foguetes experimentais e tecnologia aeroespacial.A equipe explicou que, do ponto de vista técnico, motores híbridos utilizam combustível sólido e oxidante líquido, oferecendo vantagens em relação aos motores sólidos tradicionais, como maior segurança operacional e maior controle do empuxo durante o voo. Leia Mais Nasa deve posicionar foguete Artemis II na plataforma de lançamento sexta Brasil é um dos países signatários do programa Artemis II, da Nasa Artemis II ao vivo: Nasa começa a transportar gigantesco foguete de 98m “O desenvolvimento e o voo desse sistema representam não apenas um marco para o grupo, mas também a consolidação de quase dez anos de pesquisa e de uma capacidade de engenharia avançada construída pelos próprios alunos”, afirma Samuel Santos, estudante de engenharia mecânica da Poli.A missão Elara II foi conduzida no campus da USP em Pirassununga, em coordenação com a Academia da Força Aérea para a liberação do espaço aéreo. O objetivo foi colocar em prática, de forma integrada, diversos sistemas, incluindo o voo com propulsão híbrida, a validação de um sistema de frenagem aerodinâmica, a verificação do desempenho do sistema de abertura dos paraquedas, a avaliação da integridade estrutural da fuselagem e o treinamento operacional da equipe.A iniciativa integra um esforço de desenvolvimento de capacidade própria de lançamento iniciado após a experiência do grupo, em 2017, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, da Força Aérea Brasileira. Na ocasião, eles lançaram o foguete Imperius em cooperação com a Minerva Rockets, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).LançamentoA campanha de lançamento começou na noite do dia 3 de abril e foi concluída na noite do sábado (4), somando mais de 12 horas de operação conduzida por estudantes durante o feriado de Páscoa.O veículo foi colocado em configuração de voo por volta das 12h. As etapas mais críticas se concentraram no abastecimento do tanque de oxidante, que exigiu diversas intervenções e impactou diretamente o cronograma.O lançamento ocorreu às 18h06 (horário local), mas o voo ficou abaixo do desempenho esperado, principalmente devido ao nível de oxidante na decolagem, inferior ao planejado. Com isso, o foguete atingiu uma altitude menor que a prevista. Ainda assim, o sistema de recuperação foi acionado e permitiu que o veículo retornasse ao solo com danos mínimos.*Sob supervisão de AR.