Apesar das recentes divergências internas sobre o cronograma da oferta pública inicial de ações (IPO), a OpenAI já traça planos ambiciosos para sua estreia no mercado de capitais. Em entrevista à CNBC nesta quarta-feira (8), a CFO Sarah Friar afirmou que a empresa “com certeza” reservará uma parcela de suas ações para investidores de varejo, os chamados investidores individuais.A estratégia busca evitar que o valor gerado pela inteligência artificial fique concentrado em um grupo seleto. “A IA precisa conquistar confiança em tudo o que fazemos. É por isso que o varejo me atrai”, declarou Friar.O fator “confiança” e a inspiração em Elon MuskA decisão de abrir espaço para o público geral não é apenas financeira, mas institucional. Para Friar, é essencial que “todos participem” do crescimento da empresa, em vez de deixar a maior parte dos ganhos para grandes fundos de investimento.A executiva traçou paralelos com sua experiência anterior como CFO da Square (atual Block) e citou o modelo adotado por Elon Musk na Tesla e na SpaceX.Demanda real: na última rodada de financiamento privado, a OpenAI buscou arrecadar US$ 1 bilhão com indivíduos e acabou levantando o triplo (US$ 3 bilhões).Marca de consumo: Friar acredita que, por ser dona do ChatGPT, a OpenAI tem um apelo natural com o público, comparando o interesse das pessoas em “ter um pedaço de uma empresa de foguetes” com o desejo de investir na líder da IA.Equilibrando o caixa e o atrito internoA confirmação desses planos surge em um momento delicado. Como noticiado anteriormente pelo Olhar Digital, Friar e o CEO Sam Altman tiveram divergências sobre a prontidão da startup para o IPO, previsto para o final de 2026.Enquanto Altman pressiona pela aceleração, a CFO levantou “bandeiras vermelhas” sobre a falta de processos internos robustos. No entanto, ela agora reforça que agir como uma companhia aberta é uma questão de “higiene corporativa” para uma empresa desse porte.O capital será fundamental para sustentar os gastos astronômicos da OpenAI:Infraestrutura: a empresa planeja gastar US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões) em servidores e data centers nos próximos cinco anos.Poder de processamento: Friar classificou a capacidade computacional como a arma competitiva mais importante da atualidade.O avanço no setor corporativoAlém do sucesso com usuários comuns, a OpenAI está colhendo frutos no setor empresarial. Denise Dresser, diretora de receita da companhia, revelou que o setor corporativo já representa 40% do faturamento total.Se continuar no ritmo atual, o braço empresarial deve atingir a paridade com o segmento de consumo até o final de 2026. Um dos grandes destaques é o Codex, ferramenta voltada para desenvolvedores, que saltou de quase zero para 3 milhões de usuários em apenas um trimestre.Ao se tornar pública, a OpenAI poderá diversificar seu financiamento, deixando de depender exclusivamente de rodadas de investimento para acessar mercados de dívida e crédito mais sofisticados, garantindo o fôlego necessário para enfrentar rivais como Google e Anthropic.O post OpenAI quer democratizar IPO e reservar ações para investidores comuns apareceu primeiro em Olhar Digital.