O setor da construção civil veio a público se posicionar contra a proposta em estudo pelo governo federal de liberar uma parte dos recursos dos trabalhadores depositados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento de dívidas.A informação foi confirmada na terça-feira, 7, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o ministro, a proposta está em discussão conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego, e ainda não há uma medida definida.Leia tambémGoverno quer “estender uma linha” de crédito ao setor agropecuário, diz DuriganGoverno quer “estender uma linha” de crédito ao setor agropecuário, diz DuriganLula defende proibição de bets e diz estar preocupado com endividamento da populaçãoEm entrevista, presidente afirmou que proibiria apostas online se dependesse dele, mas lembra que decisão cabe ao CongressoPara os empresários do setor da construção, a proposta causa preocupação porque o FGTS é a principal fonte de recursos para a compra e a construção de moradias no País, especialmente dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). O programa vem crescendo nos últimos anos e já responde por mais dos lançamentos e vendas de imóveis novos no País.A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) emitiu uma nota na qual manifesta “forte preocupação” com as discussões em curso no governo federal. A associação afirmou que a medida pode reduzir significativamente o volume de recursos disponíveis para o financiamento da casa própria, afetando especialmente a população de menor renda.“É preciso cautela para não descaracterizar o papel do FGTS. Estamos falando de um instrumento essencial para o acesso à moradia no País. Qualquer medida que reduza sua capacidade de financiamento traz impactos diretos sobre o déficit habitacional, o emprego e o crescimento econômico”, afirmou o presidente da Abrainc, Luiz França.O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) foi na mesma linha. Em uma carta aberta, o sindicato patronal manifestou “profunda preocupação” e oposição à proposta de liberação do saldo do FGTS para quitação de débitos em atraso. “Além de desviar a finalidade do fundo, a medida ignora o papel estruturante que esses recursos exercem na economia real e nas politicas públicas na habitação, saneamento e na infraestrutura”, afirmou a entidade.O Secovi-SP citou que a cada R$ 1 aplicado pelo FGTS em empreendimentos imobiliários, são gerados 22 empregos diretos, criando um efeito multiplicado na economia. “Ao permitir a pulverização desses recursos em saques para consumo imediato, o governo coloca em risco a manutenção desses milhões de postos de trabalho formais e a própria execução de projetos essenciais”.O orçamento do FGTS para o Minha Casa Minha Vida vem crescendo anualmente. Em 2026, R$ 144,5 bilhões do fundo irão para o programa habitacional na forma de financiamentos e subsídios. Em 2025, foram R$ 142,3 bilhões, e em 2024, R$ 102,4 bilhões, de acordo com dados do Ministério das Cidades.The post Setor da construção se opõe à liberação do FGTS para trabalhadores pagarem dívidas appeared first on InfoMoney.