A CBF está certa em combater o vitimismo, mas erra no foco

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A CBF tem razão ao querer reduzir o vitimismo no futebol brasileiro e cobrar dos clubes maior responsabilidade pelo espetáculo.Até aqui, concordo plenamente. No entanto, a meu ver, a entidade está errada ao concentrar quase todo o discurso nos chamados “discursos de roubo”, como se o principal problema da arbitragem brasileira fosse apenas a reclamação excessiva dos times.Na prática, parece que a CBF quer silenciar as críticas enquanto os erros recorrentes ainda não foram efetivamente resolvidos. O cenário é conhecido de todos nós: quando o erro acontece contra o nosso time, a dor é imensa e a revolta é imediata.Quando o erro beneficia o nosso lado, o “discurso de roubo” desaparece com a mesma rapidez. Essa hipocrisia existe e precisa ser combatida. Mas o caminho mais inteligente não é tentar calar as vozes. Seria, sim, continuar investindo pesadamente em profissionalização, treinamento, tecnologia (VAR bem aplicado) e, principalmente, ser muito mais dura e imparcial com os árbitros que cometem erros graves e recorrentes.É preciso punir de forma efetiva os excessos de todos os lados: clubes, treinadores, jogadores e, claro, a própria arbitragem quando falha. Enquanto essa equação não estiver equilibrada, a postura da CBF continuará soando mais como um “calem a boca” do que como uma solução real e madura para o problema.Repito: o problema não se resume ao discurso de roubo. Muitas vezes o erro é de fato escandaloso, absurdo, e isso a CBF ainda não conseguiu eliminar de forma consistente.É verdade que clubes, treinadores e jogadores exageram demais. Reclamam de lances duvidosos como se fossem roubos organizados, pressionam o árbitro durante os 90 minutos, simulam faltas e criam um ambiente tóxico.Esses comportamentos envenenam o espetáculo e merecem punição.Mas também é preciso dizer, com todas as letras: a CBF ainda não cumpriu integralmente a sua parte e continua bastante eficiente na arte da negação e do “problema não existe”.Enquanto os erros graves persistirem em campo, será difícil convencer o torcedor brasileiro de que o maior vilão é apenas a reclamação.