O Bank of America estima que cerca de 43% da cota chinesa de importação de carne bovina para 2026 já tenha sido preenchida, indicando um ritmo acelerado de compras por parte do país asiático.A projeção considera não apenas os dados oficiais de importação da China, mas também embarques brasileiros ainda em trânsito ou em processo de desembaraço aduaneiro, o que ajuda a explicar a diferença entre os números reportados pelos dois países.Na prática, esse avanço sugere que a cota total — estimada em cerca de 1,1 milhão de toneladas — pode se esgotar entre agosto e setembro, caso o ritmo atual seja mantido. O cenário reforça a força da demanda chinesa por proteína bovina, mesmo diante de preços mais elevados no mercado internacional.“Dado o atual surto de febre aftosa na China e o ciclo de baixa do gado no país, os incentivos para importar carne acima da cota — mesmo absorvendo a tarifa de 55% — podem ser maiores do que o esperado anteriormente”, apontam Isabella Simonato e Julia Zaniolo. Para o Brasil, o movimento reforça sua posição estratégica como principal fornecedor global de carne bovina.Os impactos das salvaguardas para a carne bovinaEm fevereiro, o BofA realizou uma reunião com o presidente da Abiec, Roberto Perosa, para discutir o impacto potencial das medidas de salvaguarda da China sobre a carne bovina.Para o executivo, a expectativa era de que os preços para a China se aproximassem de US$ 6,0/kg, dado o forte nível de demanda local. Os preços, de fato, subiram, atingindo US$ 5,83/kg em março e média de US$ 5,58/kg no 1T (+15% a/a), enquanto os volumes para a China cresceram 16% na mesma base de comparação.“Observamos um descompasso entre os dados de exportação do Brasil e as estatísticas de importação da China, provavelmente devido a atrasos logísticos e de desembaraço aduaneiro. A China reportou importações de 372 mil toneladas de carne bovina brasileira em janeiro-fevereiro, sugerindo que embarques de dezembro estão sendo contabilizados em 2026”.As carnes no 1º trimestreAs exportações brasileiras de proteínas mantiveram forte ritmo no primeiro trimestre de 2026, com destaque para o avanço da carne bovina (+20% a/a), do frango (+5% a/a, mesmo sobre base elevada) e da suína (+15% a/a), reforçando o cenário de oferta global apertada e a posição do Brasil como fornecedor-chave. Apesar dos preços internacionais em alta — especialmente na carne bovina (+15% a/a) —, a valorização do real e o aumento dos custos, sobretudo do gado, pressionaram as margens do segmento, enquanto o frango apresentou maior estabilidade, beneficiado por custos de ração mais baixos.