Ata do Fomc: Fed mantém cautela e vê inflação persistente após choque do petróleo

Wait 5 sec.

A ata da reunião de março do Federal Reserve, divulgada nesta quarta-feira (8), indica um tom mais cauteloso diante da combinação de inflação persistente, choque externo e sinais mistos na atividade, para o comitê manter a taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75%.Segundo a ata, “a inflação permanece acima da meta de 2%”, com progresso limitado na desinflação nos últimos meses. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) avançava 2,8% em 12 meses até janeiro, enquanto o núcleo seguia próximo de 3%, ambos ainda em níveis considerados elevados.A leitura interna do Comitê aponta que as pressões inflacionárias continuam vindo, em parte, dos bens (influenciados por tarifas), enquanto os serviços mostram desaceleração gradual, especialmente no componente de habitação. Ainda assim, diversos dirigentes avaliam que o processo de convergência para a meta pode ser mais lento do que o esperado.O cenário se tornou mais incerto com a escalada do conflito no Oriente Médio, que levou a uma forte alta nos preços do petróleo. A ata destaca que o movimento elevou as expectativas de inflação no curto prazo e aumentou os riscos de que a inflação permaneça pressionada por mais tempo, sobretudo em caso de um choque mais persistente.No mercado de trabalho, o diagnóstico segue de equilíbrio, com a taxa de desemprego em 4,4%. No entanto, o ritmo de criação de vagas permaneceu fraco, e alguns membros destacaram sinais de possível perda de fôlego, em meio à incerteza econômica e aos impactos potenciais de novas tecnologias, como a inteligência artificial, sobre o emprego.A atividade econômica, por sua vez, continua resiliente. O Fed observa que o crescimento segue em ritmo sólido, sustentado pelo consumo e pelo investimento, especialmente no setor de tecnologia. Ainda assim, o Comitê passou a ver riscos mais relevantes para baixo, em um ambiente de condições financeiras ainda restritivas e maior incerteza global.Diante desse quadro, quase todos os dirigentes apoiaram a manutenção dos juros, avaliando que a política monetária já se encontra próxima de um nível neutro. A decisão não foi unânime: Stephen Miran defendeu um corte de 0,25 ponto percentual, citando preocupações com a fraqueza do mercado de trabalho.Dependente de dadosO Federal Reserve reforçou que a política monetária “não está em um curso pré-determinado” e seguirá dependente dos dados. Ao mesmo tempo, a ata mostra uma comunicação mais equilibrada, com dirigentes destacando a necessidade de manter abertas diferentes possibilidades para os próximos passos.O documento indica que cortes de juros podem ocorrer caso a inflação recue conforme o esperado, mas também não descarta novas altas se as pressões inflacionárias persistirem.O balanço de riscos apresentado pelo Comitê revela um cenário mais complexo: enquanto os riscos de inflação continuam inclinados para cima, os riscos para o crescimento e o mercado de trabalho ganharam peso, especialmente após o choque nos preços de energia.De acordo com a ferramenta CME Group FedWatch, o mercado aposta majoritariamente na manutenção dos juros na faixa atual de 3,50% a 3,75% para a próxima reunião do dia 29 de abril. As probabilidades indicam 99,5% de chance de manutenção neste momento. Há também uma porcentagem mínima de 0,5% que aposta em uma alta para 3,75% a 4%.