Segundo o estudo, 79,6% das organizações prevê aumentar ou manter o investimento em formação e desenvolvimento, sinalizando uma mudança na forma como as empresas encaram a gestão de talento. A aposta no desenvolvimento interno surge como resposta à escassez de competências, à pressão salarial e ao impacto crescente da transformação tecnológica nas organizações.Apesar desta mudança de enfoque, a maioria das empresas continua a recorrer ao recrutamento externo para preencher vagas, numa estratégia que reflete a ausência de políticas estruturadas de mobilidade interna ou de programas consistentes de upskilling e reskilling.«Entre 2025 e 2026, os profissionais e departamentos de recursos humanos em Portugal não mudam de direção, mas aceleram na estratégia. As prioridades mantêm-se, tornando-se mais pragmáticas e orientadas para a execução», afirma Cláudia Vicente, diretora-geral da GALILEU.Segundo a responsável, as empresas procuram cada vez mais desenvolver competências críticas, reduzir a dependência do mercado de trabalho e integrar tecnologia, sem perder a dimensão humana que sustenta o desempenho organizacional no longo prazo.Soft skills continuam relevantes, mas hard skills ganham pesoO barómetro identifica também uma evolução no tipo de competências valorizadas pelas organizações. As soft skills continuam a ter um papel central, mas começam a perder peso relativo face às hard skills empresariais.Esta mudança não significa um abandono das competências humanas, mas antes uma maturação da abordagem. Em muitas organizações, as soft skills passam a ser encaradas como ferramentas para executar melhor, apoiar a tomada de decisão e acelerar processos de adaptação.Até 2027, as competências consideradas mais críticas incluem liderança e gestão de equipas, comunicação, resolução de problemas e adaptabilidade.A comunicação surge como uma das áreas que mais cresce em importância, refletindo a necessidade crescente das empresas de alinhar equipas, gerir processos de mudança e reduzir fricções internas num contexto organizacional mais complexo e tecnologicamente exigente.Formação prática ganha terrenoNo que diz respeito aos formatos de aprendizagem, as empresas mostram preferência por abordagens mais práticas. O on-the-job training e a formação síncrona — realizada em tempo real com interação direta entre formadores e participantes — surgem como os modelos mais valorizados.O estudo aponta também para uma recuperação do formato presencial, enquanto o ensino híbrido e o live training remoto registam uma ligeira quebra.RH mais próximos da estratégia das empresasOutra conclusão do relatório é o crescente alinhamento entre os departamentos de recursos humanos e as estratégias globais das organizações.Cerca de 72% dos profissionais de RH inquiridos considera que existe hoje um alinhamento total ou parcial com os objetivos estratégicos do negócio. Ainda assim, os autores do estudo alertam que essa intenção estratégica nem sempre se traduz em processos e métricas concretas, o que pode manter a gestão de talento numa lógica reativa.Inteligência artificial ganha espaço, mas com cautelaA inteligência artificial surge também como uma das tendências emergentes na gestão de recursos humanos. Mais de 80% dos profissionais de RH identificam esta tecnologia como uma prioridade futura para as suas organizações.No entanto, a utilização atual permanece relativamente limitada, sendo aplicada sobretudo à automatização de tarefas administrativas.A adoção está a ser feita de forma gradual, com muitas empresas a privilegiarem ganhos rápidos de eficiência, enquanto persistem preocupações relacionadas com questões éticas e com a preservação do fator humano na gestão das pessoas.Os resultados completos do Barómetro RH GALILEU 2026 podem ser consultados aqui.O conteúdo Formação ultrapassa atração de talento nas prioridades estratégicas dos RH em Portugal aparece primeiro em Revista Líder.