Alon Chen entrou no Google em 2006, aos 23 anos, sem experiência em marketing e sem contatos na empresa. Aos 28 anos, já era CMO (diretor de Marketing) — supervisionando o marketing para Israel e Grécia, construindo uma linha de produtos de US$ 2 bilhões em 30 mercados, recebendo um salário anual na faixa alta de seis dígitos e um pacote de ações de sete dígitos.Para a maioria das pessoas, ele chegou lá absurdamente cedo — e diz que também foi “fácil”. Não por causa de mentores, política interna ou qualquer trilha formal de promoção. Em entrevista exclusiva à Fortune, Chen afirma que simplesmente ignorou todas as regras que lhe foram dadas.Leia também: Como o CEO do Walmart usa as lições do pai para conduzir gigante de US$ 1 trilhão“Subir na carreira foi bastante natural e fácil”, disse à Fortune, “simplesmente porque ignorei todo o status quo e as regras, identifiquei o que era a coisa certa a fazer e fui até o fim com isso.”Chen não fala só da boca para fora: quando uma equipe sênior na sede bloqueou seus planos de lançar o Google Partners internacionalmente, ele lançou mesmo assim — em idiomas estrangeiros, em mercados estrangeiros — sem avisar ninguém na América do Norte.“Depois que provamos que era extremamente bem-sucedido, eles vieram nos perguntar: ‘Ah, vocês também podem lançar isso na América do Norte?’”Da mesma forma, conseguir uma promoção era apenas uma questão de exigi-la antes do prazo.O Google disse a ele que promoções levam dois anos — ele conseguiu a sua em menos de umNo Google, a regra geral era esperar pelo menos dois anos antes de se candidatar a uma promoção — ele diz que a maioria dos funcionários aceitava esse prazo sem questionar. Chen ignorou completamente, procurou sua gerente em menos de um ano e apresentou um caso impossível de recusar.“Eu simplesmente disse à minha gerente: ‘Olha, eu sei que isso normalmente leva um ano. Veja o que consegui realizar. É muito mais do que qualquer outra pessoa. Vamos me colocar para promoção agora’.” E ela colocou.“Temos todas essas regras, todos esses parâmetros, todos esses processos”, diz Chen. “É isso que vai acontecer para a maioria de vocês.”Mas, para pessoas de alto desempenho, acrescenta, eles são quase apenas uma formalidade. Especialmente quando, como ele, você trabalha cerca de 12 horas por dia e tem resultados para sustentar suas exigências de progressão antecipada. “Você vai ser como eu, promovido mais vezes.”“As empresas podem te colocar em moldes que te desestimulam”, acrescenta. Mas ele diz que os mais bem-sucedidos “simplesmente ignoram isso e dizem: ‘vou fazer do meu jeito e assumir riscos, internamente’.”No fim, ele levou esse conselho de carreira ao pé da letra, optando por se tornar seu próprio chefe e fazer do seu jeito: com um pacote de ações de sete dígitos na mesa e uma carreira que a maioria das pessoas protegeria com a própria vida, ele pediu demissão — e saiu sem nenhum arrependimento financeiro.Antes do Google, ele já tocava um negócio próspero aos 15 anosChen não acordou um dia, de repente, como um executivo do Google que quebra regras. Muito antes do cargo de alto escalão, ele já havia sido forçado a pensar como um fundador. Crescendo em uma “pequena cidade de classe média baixa ao sul de Tel Aviv”, seu pai sofreu um acidente de moto, o que deixou a família em dificuldades financeiras.“Eu escrevia código quando tinha 12 anos, e todo ano precisava trocar de computador… O software que eu criava não rodava porque precisava de mais memória”, relembra. “Mas meu pai não podia pagar.”Então, aos 15 anos, ele foi diretamente aos importadores e negociou peças para poder atualizar o próprio computador.“Foi minha primeira aventura empreendedora”, acrescenta. “Comecei a vender computadores para milhares de diferentes pequenas e médias empresas durante o ensino médio… Isso se transformou em um negócio muito grande.”Seu empreendimento seguinte teve uma forma completamente diferente. Chen tornou-se responsável digital por uma organização sem fins lucrativos de ativismo LGBT, criando um dos sites de ativismo pioneiros na época. Foi essa experiência — não um diploma em ciência da computação, nem um estágio corporativo — que, segundo ele, chamou a atenção do Google e lhe garantiu sua primeira função na empresa em 2006. “Naquela época, isso era muito inovador”, acrescenta.Diante desse histórico, talvez seja menos surpreendente que o emprego dos sonhos no Google tenha começado a parecer uma “gaiola de ouro”.Quando pediu demissão, sua família achou que ele estava “louco”. Sua mãe, judia iraquiana, lembra ele, ficou especialmente alarmada. Ironicamente, ela inspirou a ideia para seu próximo empreendimento.Financeiramente, ele está pior como fundador de startup — mas não se arrependeO conceito da Tastewise, a plataforma de inteligência em alimentos e bebidas baseada em IA que ele viria a criar, surgiu diretamente do grupo de WhatsApp da família, onde sua mãe enviava mensagens toda quinta-feira perguntando em que fase alimentar cada um estava antes de passar o dia cozinhando pratos tradicionais.Ela via a logística do jantar. Ele viu um momento de insight — e uma lacuna no mercado que as maiores empresas de alimentos do mundo ainda não haviam resolvido: prever o que as pessoas realmente querem comer antes mesmo de elas próprias saberem.Hoje, a tecnologia da startup é usada por gigantes como PepsiCo, Nestlé, Mars, Kraft Heinz, Campbell’s e Givaudan, e mais da metade de seus clientes são empresas da lista Fortune 100. A empresa já levantou mais de US$ 71 milhões em investimentos.Financeiramente, ele admite abertamente que ainda não superou sua fase no Google. “Ainda não”, diz. “Ainda estou construindo, estou totalmente focado no negócio.”Mas, considerando sua participação acionária, uma futura transação envolvendo a Tastewise provavelmente o consolidaria como multimilionário. E ele não hesita quando questionado se valeu a pena sair. “Não importava”, diz sobre as ações de sete dígitos que deixou para trás. “É como se isso nem tivesse sido um fator a considerar.”Ele continua: “Eu costumava acordar de manhã pensando: ‘isso não é suficiente’… Eu amava meu trabalho. Amava meus colegas. Estava extremamente satisfeito com minhas conquistas. Só que não era meu — não era minha ideia, não era meu projeto. Há uma satisfação enorme em criar algo do zero.”2026 Fortune Media IP LimitedThe post O ex-diretor de Marketing do Google que foi promovido porque ignorou todas as regras appeared first on InfoMoney.