Em cenário de tensão global, veja as ações internacionais mais indicadas para abril

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As bolsas internacionais sofreram com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e o S&P500 fechou o mês em queda de 5,0%. Já o BDRX, índice de referência dos recibos de ações estrangeiras negociados na B3, caiu 3,7% em março. Apesar das incertezas com a disparada do petróleo e idas e vindas nas negociações para um acordo de paz, os analistas buscam oportunidades deixadas pela forte queda, que normalmente é exagerada nesses momentos. A XP Investimentos, por exemplo, aproveitou a queda dos mercados para sugerir aumentar a posição em Big Techs. “Após período de correção dos mercados, vimos que os ‘valuations’ das Big Techs voltaram para patamares atrativos, com Nvidia negociando com múltiplos próximos aos do S&P500, apesar de forte perspectiva de crescimento”, diz a corretora em relatório.Leia também: Irã rejeita cessar-fogo de 45 dias e EUA dizem que plano é apenas “uma das ideias”Para a Empiricus, as quedas observadas no mercado americano podem ter aberto oportunidades interessantes para os investidores buscando ativos internacionais. Primeiro porque, diferentemente de outros momentos, a desvalorização do S&P500 aconteceu em um momento em que os investidores revisaram para cima suas projeções de lucros para o índice ao final de 2026. “Dessa forma, o principal índice americano, que negociava acima das 20 vezes seus lucros projetados para o ano, voltou para a casa das 18 vezes com o recuo de pouco mais de 5% no ano”, diz o relatório, observando que a queda foi a maior para o índice desde março do ano passado, quando precedeu o “Liberation Day” do Governo Trump.Risco persiste A Empíricus lembra, porém, que os lucros das empresas podem sofrer revisões futuras para baixo caso os impactos dos preços das commodities reduzam significativamente o consumo global, lembrando que alguns países, como os do Sudeste Asiático, já começaram a implementar medidas de racionamento de energia nas últimas semanas. “Contudo, quando analisamos apenas as Magnificent 7, o recuo nos preços em algumas dessas empresas fizeram com que elas passassem a ser negociadas por múltiplos P/L projetados perto das mínimas dos últimos cinco anos”, diz a Empiricus. E acrescenta que, quando comparadas com a média de mercado, algumas ficam ainda mais atrativas, considerando as perspectivas de crescimento para o próximo ano. O relatório lembra ainda que essas empresas devem ter sinalizações importantes com o início da temporada de resultados em meados de abril.Previsões já ajustadas para pior Na Genial Investimentos, o dado mais relevante para o investidor é que, apesar do ruído geopolítico, o crescimento de lucros corporativos nos Estados Unidos segue acima da tendência de dez anos, o que diferencia o momento atual de ciclos anteriores de correção. Segundo a corretora, analistas de mercado avaliam que a compressão de múltiplos já é consistente com cenários de desaceleração moderada, e que a assimetria favorece posições construtivas caso o conflito encontre resolução diplomática. No entanto, a sensibilidade do mercado à taxa do Treasury de dez anos permanece elevada, o que pode limitar a expansão de múltiplos mesmo em cenário de alívio. Segundo a Genial, a alocação da casa em ações americanas segue mais conservadora, com foco em empresas geradoras de caixa e menor dependência de crescimento de múltiplos, enquanto a exposição a mineradoras de ouro e prata foi ampliada como posição de proteção e diversificação.Consenso ainda de alta O consenso para o S&P 500 segue apontando um ciclo ainda forte no curto prazo, mas com sinais de maior cautela à frente, avalia o BTG Pactual. As estimativas de crescimento de lucros para 2026 foram levemente revisadas para cima, de 15,0% para 15,3% (+0,3 ponto porcentual), enquanto 2027 teve revisão negativa, de 12,5% para 10,7% (-1,8 ponto porcentual). Ao mesmo tempo, o investimento (Capex) das empresas esperado para 2026 continua acelerando, passando de um crescimento anual de 33,6% para 35,8% em 2026 (+2,2 pontos porcentuais), reforçando a continuidade do ciclo de investimento, especialmente relacionado à IA e infraestrutura digital.Para o BTG, porém, apesar desse cenário construtivo no curto prazo em termos de fundamentos, o posicionamento e o sentimento pioraram de forma relevante entre fevereiro e março. “Observamos uma divergência entre os fundamentos das empresas e o sentimento de mercado no curto prazo: o capex continua sustentando o ciclo, enquanto o posicionamento está mais leve devido ao aumento das incertezas”, diz o banco em relatório. Esse movimento tem levado a uma redução tática do apetite ao risco, com o S&P 500 registrando queda forte em março. Diante desse cenário o BTG decidiu optar por uma estratégia marginalmente mais defensiva em abril, mantendo exposição a ações das chamadas “mega techs”, que apresentaram compressão de múltiplos e passaram a apresentar um “valuation” mais atrativo após a correção observada em março.Cautela e oportunidadeAs ações mais indicadas pelas oito corretoras acompanhadas pelo Infomoney mostra essa busca de aproveitar as oportunidades que surgiram com a turbulência da guerra e ao mesmo tempo um pouco mais de cautela, com empresas como Coca-Cola e ExxonMobil, com receitas mais garantidas em caso de a crise continuar ou até ganhos maiores, caso da petroleira. A grande aposta continua, porém, no setor de tecnologia, como mostra a tabela abaixo. Leia também: Allos e mais quatro: as ações de dividendos mais indicadas para investir em abrilEmpresaBDRIndicaçõesVariação Março (%)AppleAAPL344-1,9AmazonAMZO3440,7Coca-ColaCOCA344-4,9AlphabetGOGL344-6,3MicrosoftMSFT344-4,9NvidiaNVDC344-1,2TSMCTSMC344-8,4ExxonMobilEXXO34311,0Micron TechnologyMUTC343-16,9Fonte: Itaú BBA, XP Investimentos, BTG Pactual, Terra Investimentos, Empiricus Reseach, Genial Investimentos, Ágora Investimentos e Santander Brasil. Confira os comentários das corretoras sobre as mais indicadas de abril. Apple   AAPL34Com quatro indicações, a Apple se mantém entre as ações internacionais mais indicadas. Segundo o Santander Brasil, a empresa divulgou bons números no quarto trimestre, com destaque para as vendas do iPhone e para as receitas de serviços. Segundo o banco, para o primeiro trimestre deste ano, a Apple espera um crescimento acim ado consenso, mas com possível pressão nas margens em função dos altos preços de memória.  Amazon              AMZO34Também com quatro indicações,  a Amazon é citada pelo BTG Pactual pelo potencial de crescimento dos serviços de nuvem via AWS, novas oportunidades de expansão em inteligência artificial e avanço das operações de streaming via o Amazon Prime.Coca-Cola        COCA34            Com quatro indicações, a Coca-Cola aparece como novidade entre as mais indicadas, um sinal de maior cautela dos analistas. Segundo o BTG Pactual, a empresa é uma tese de resiliência, beneficiada pela busca por defensividade em um ambiente de maior incerteza macroeconômica. A companhia segue entregando resultados resilientes, sustentados por uma demanda robusta por seus produtos e pela forte presença global de suas principais marcas. O banco também está otimista com o poder da empresa subir seus preços em um ambiente mais desafiador, mantendo suas margens.Alphabet            GOOGA Alphabet, controladora do Google, segue como uma das preferidas dos analistas, com quatro indicações para abril. Para a XP, a empresa ainda apresenta forte capacidade de seguir conquistando espaço na frente de inteligência artificial com boa execução.Microsoft           MSFT34Também com quatro indicações, a Microsoft é indicada pelo Santander Brasil por seu amplo portfólio de produtos e serviços, além de elevado poder de fidelização à marca diante do alto custo de substituição ou em alguns casos ausência de concorrentes no mesmo nível de qualidade e preço. O banco cita o crescimento acelerado de serviços de núvem, desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial, reestruturação societária da OpenAI e receitas recorrentes com fidelização dos clientes.Nvidia  NVDC34A fabricante de chips para inteligência artificial se mantém entre as mais indicadas e foi incluída pela Empiricus em sua carteira deste mês após o evento GTC 2026, em que anunciou que espera reportar receita de mais de US$ 1 trilhão entre 2025 e 2027, o que significaria vendas em torno de US$ 500 bilhões apenas no próximo ano, crescimento de 60% sobre o esperado em 2026. A Empiricus lembra que a Nvidia passou a não vender apenas chips isolados, mas infraestrutura completa de inteligência artificial.TSMC   TSMC34Para o BTG Pactual, a fabricante de circuitos integrados e semicondutores de Taiwan segue como uma das principais beneficiárias do tema de inteligência artificial, sustentada por um momento de resultados positivos e pelos avanços tecnológicos recentes, como o lançamento do chip A 16ExxonMobil       EXXO34A forte alta do petróleo por conta da guerra do Irã fez várias corretoras incluírem a ExxonMobil em suas carteiras. A XP lembra que as ações da empresa terminaram o primeiro trimestre com alta de 41% no período, a melhor performance trimestral do papel. A empresa é uma das maiores empresas de petróleo e gás natural do mundo e está envolvida em todas as fases da cadeia de valor de energia.Micron Technology        MUTC34Segundo o Santander Brasil, a Micron vem se beneficiando da forte demanda por memória em função principalmente do avanço da inteligência artificial. A empresa já teria inclusive vendido a totalidade de sua capacidade de produção de memória de alta largura de banca (HBM) deste ano. Novos chips também demandarão novas memórias, com as HBM4, produzidas pela Micro, lembra o banco.The post Em cenário de tensão global, veja as ações internacionais mais indicadas para abril appeared first on InfoMoney.