Em meio ao alívio com o frágil cessar-fogo de duas semanas entre EUA-Irã, o Ibovespa renovou recordes na última quarta-feira, ultrapassando os 193 mil pontos pela primeira vez na história no melhor momento. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou a sessão com ganhos de 2,09%, para 192.201,16 pontos, nova máxima de fechamento.Mesmo em meio a novas máximas, os grandes bancos globais seguem enxergando o Brasil como um dos principais mercados emergentes para investidores internacionais, neste momento marcado pela redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela retomada gradual do apetite por risco. Tanto a Morgan Stanley quanto o JPMorgan destacam o país como uma das apostas relevantes dentro da América Latina e do universo de mercados emergentes, apoiado em fundamentos corporativos, exposição a commodities energéticas e valuation ainda considerado atrativo. Na avaliação do JPMorgan, o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã reduziu os riscos imediatos de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, o que ajuda a reancorar o cenário base para os mercados emergentes. O banco projeta uma recuperação do índice MSCI Emerging Markets à medida que os riscos de recessão global são reprecificados, o petróleo se estabiliza em patamar elevado e o dólar perde força. Dentro desse contexto, o Brasil continua figurando como um bom mercado. Segundo o JPMorgan, o país apresenta um perfil de maior beta em relação ao desempenho dos emergentes, o que tende a favorecer os ativos locais em momentos de retomada dos fluxos estrangeiros, que podem voltar a ganhar tração após a interrupção provocada pelo conflito geopolítico. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros dos EUA recuam após fortes ganhos do dia anterior“Na América Latina, acreditamos que o Brasil deve permanecer um mercado favorecido, apesar de ter perdido parte de seu ‘charme’ de porto seguro, já que foi um dos mercados com melhor desempenho na recuperação dos mercados emergentes antes do conflito e é um ativo de alto beta em relação aos mercados emergentes”, avalia. A leitura é reforçada pelo Morgan Stanley, que mantém overweight (exposição acima da média) relevante em ações brasileiras em seu portfólio modelo para a América Latina. O banco destaca que o Brasil concentra algumas das principais posições da carteira, refletindo a avaliação de que o mercado combina empresas líderes, geração de caixa consistente e métricas de retorno acima da média regional. No setor de energia e petróleo, que ganha protagonismo em um ambiente de preços de petróleo mais altos e maior foco em segurança energética, os dois bancos veem oportunidades claras no Brasil. O Morgan mantém Petrobras (PETR3;PETR4) como a maior posição individual do portfólio latino-americano, enquanto o JPMorgan também aponta ações como Petrobras e PRIO (PRIO3) entre as potenciais beneficiárias do cenário de energia mais restrita no mercado global.O JPMorgan ressalta que, embora o Brasil seja exportador líquido de petróleo, a dependência da importação de derivados — especialmente diesel — impõe desafios inflacionários e políticos. Neste sentido e para mitigar esses efeitos, o governo brasileiro anunciou medidas como redução de impostos federais sobre combustíveis, subsídios estimados em cerca de R$ 10 bilhões e taxações sobre exportações, além de avaliar novas ações para limitar o impacto de reajustes nos preços domésticos. Além das petroleiras, o Morgan Stanley também vê valor no setor financeiro brasileiro, com destaque para Nubank (NYSE: NU; BDR: ROXO34), Itaú Unibanco (ITUB4), B3 (B3SA3) e BTG Pactual (BPAC11), citando crescimento de lucros, retorno elevado sobre patrimônio (ROE) e melhora estrutural da rentabilidade como pilares da tese positiva para o país. No segmento de infraestrutura e utilities (energia e saneamento), o banco mantém visão construtiva para empresas como Sabesp (SBSP3) e Copel (CPLE3), apoiadas por maior previsibilidade de resultados e potencial de geração de valor no médio prazo, especialmente em um ambiente de normalização regulatória e foco em eficiência operacional. O JPMorgan chama atenção, ainda, para riscos específicos à economia brasileira, como o impacto do encarecimento de fertilizantes — cerca de 30% importados do Oriente Médio — e o aumento dos custos logísticos, já que mais de 80% do transporte de cargas no país depende do modal rodoviário. Esses fatores podem pressionar setores ligados ao agronegócio e à cadeia de consumo ao longo dos próximos meses.Apesar desses desafios, a avaliação conjunta dos dois bancos é que o Brasil segue relativamente bem posicionado na comparação com outros mercados emergentes, especialmente aqueles mais dependentes da importação de energia. Com a perspectiva de retomada dos fluxos globais para ações emergentes — que, segundo o JPMorgan, podem somar dezenas de bilhões de dólares em poucos meses — o país tende a permanecer entre os principais destinos do capital internacional. The post Ibovespa após novas máximas: Morgan Stanley e JPMorgan reforçam otimismo com Brasil appeared first on InfoMoney.