Galípolo se reúne com governadora do Distrito Federal para discutir crise no BRB

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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, se reúne nesta quinta-feira, em São Paulo, com a governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (Progressistas), para discutir a situação do BRB (Banco de Brasília), que enfrenta dificuldades financeiras, atraso na divulgação de resultados e questionamentos sobre sua gestão.O encontro ocorre em meio à pressão do Banco Central para que o banco regularize sua situação, reforce o capital e apresente balanços atrasados. O BRB também enfrenta problemas de liquidez, ou seja, dificuldades para manter recursos disponíveis no curto prazo, o que aumenta a preocupação de reguladores e investidores.Leia tambémDepoimento de Galípolo à CPI do Crime Organizado sobre caso Master irrita o PlanaltoPresidente do BC disse não haver culpa por parte de Roberto Campos Neto no temaNesta quarta-feira, Celina afirmou que ainda não há definição sobre eventual ajuda do governo federal ao banco, mas indicou que evitar interferências já seria positivo.— Eu não sei se existe necessidade (de apoio), se eles vão fazer, mas eu acho que, se não atrapalhar, já ajuda muito — disse. Segundo ela, o diálogo entre as instituições é o principal caminho para atravessar o momento.Na semana passada, após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo sinalizou que não pretende assumir o controle do BRB nem fazer um socorro direto. Uma alternativa discutida é a venda de ativos para instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, além de bancos privados.Banco Master no centro da criseBoa parte da crise atual do BRB está ligada à sua relação com o Banco Master. Nos últimos anos, o banco público concentrou grande parte de suas operações na compra de carteiras de crédito da instituição privada.Esse tipo de operação funciona assim: o banco compra o direito de receber esses empréstimos no futuro, mas também assume o risco de calote. No caso do BRB, a concentração dessas compras no Banco Master foi considerada elevada e acendeu um alerta no mercado.Segundo informações de auditorias, cerca de 95% dessas carteiras adquiridas vieram do Banco Master, somando mais de R$ 30 bilhões. Isso significa que, se esses créditos não forem pagos como esperado, o prejuízo recai diretamente sobre o BRB.Uma auditoria independente, já enviada à Polícia Federal, identificou falhas nessas operações, como a compra de carteiras sem análise adequada de risco. Com isso, o banco estima que terá de reservar mais de R$ 6 bilhões para cobrir possíveis perdas.A crise ganhou um novo capítulo em janeiro, quando a Mastercard passou a deter cerca de 6,9% das ações do BRB. Isso ocorreu após um calote envolvendo o Will Bank, braço digital ligado ao Banco Master.Como garantia de dívidas não pagas, foram usadas ações do BRB. Com o não pagamento, a Mastercard executou essas garantias e acabou se tornando acionista do banco — embora já tenha sinalizado que não pretende permanecer no controle e que busca apenas recuperar os valores devidos.Atrasos, pressão e tentativa de reorganizaçãoO BRB ainda não divulgou seu balanço de 2025 dentro do prazo legal e trabalha com a data de 29 de maio para regularizar as informações. O atraso está ligado justamente às investigações sobre as operações com o Banco Master.Além disso, o banco tenta levantar capital para atender às exigências do regulador e reequilibrar suas contas. Como parte desse processo, também tem adotado medidas para reduzir custos e reorganizar negócios.The post Galípolo se reúne com governadora do Distrito Federal para discutir crise no BRB appeared first on InfoMoney.