“E se eu simplesmente fosse ao Estreito de Ormuz?”Foi com essa pergunta em mente que a Citrini Research adotou uma abordagem diferente da maioria do mercado, que observa o bloqueio do canal de petróleo mais importante do mundo apenas por imagens de satélite e comunicados oficiais.A empresa enviou um analista à Península de Musandam, em Omã, equipado com US$ 15 mil em dinheiro, óculos escuros com câmera embutida, um celular Xiaomi com lente Leica de zoom 150x e um pacote de charutos cubanos, para levantar informações sobre os efeitos reais do conflito entre Estados Unidos e Irã.“Estava claro que ninguém — nem analistas, nem correspondentes, nem generais aposentados nos canais de notícias, muito menos nós — realmente sabia o que estava acontecendo”, disse o analista, que não foi identificado, em relatório da empresa.“Todos trabalhavam com as mesmas imagens de satélite desatualizadas, as mesmas fontes não identificadas do Pentágono e os mesmos dados de transporte AIS”, acrescentou.O AIS é um sistema que transmite a localização, velocidade, identidade e rota de um navio. Segundo o relatório, cerca de metade dos petroleiros que atravessam o estreito não são detectados, porque estão navegando com transponders desligados ou transmitindo informações falsas. Muitos também evitam o canal principal, utilizando um corredor menos visível próximo à ilha de Qeshm. Além disso, o documento aponta que o Irã estaria permitindo a passagem controlada de embarcações, exigindo autorizações prévias para navegar próximo ao seu território, criando um “ponto de controle funcional” em vez de um bloqueio total.O analista observou que o tráfego continua, sendo que o volume real de navios é maior do que os dados oficiais indicam, embora esteja abaixo do habitual. Ele também observa que a movimentação de navios e tropas militares é mais intensa do que sugerem os relatos oficiais, e que a população local se prepara para um conflito duradouro.“O Irã está claramente no controle de todo o canal de navegação. Isso pode manter o petróleo e seus derivados essenciais, como fertilizantes, caros por muito tempo”, afirmou James van Geelen, fundador da Citrini Research, à New York Magazine.A Citrini estima que a interrupção no estreito será prolongada, criando um prêmio de risco permanente no mercado de petróleo. A empresa recomenda exposição a contratos de prazo mais longo, como o WTI de dezembro de 2026.Sobre os impactos na economia americana, van Geelen comenta: “Você poderia argumentar que petróleo a US$ 90 por barril não é suficiente para paralisar a economia dos EUA, mas US$ 120 por barril, com trigo e fertilizantes 50% mais caros, pode gerar desconforto.”A projeção da Citrini é que, nas próximas quatro a seis semanas, o tráfego no estreito possa se restabelecer para até 50% dos níveis anteriores ao conflito, estabelecendo um novo equilíbrio marcado pela incerteza estrutural.