A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado a renúncia de Marcelo Gasparino do cargo de membro do conselho de administração da companhia, em fato relevante divulgado na manhã desta terça-feira (7).Gasparino ocupava a posição de presidente do conselho. Tendo em vista que a eleição dos atuais membros do colegiado ocorreu via voto múltiplo, a renúncia implica na destituição de todos os demais membros.Isso ocorre porque o mecanismo de voto múltiplo prevê que cada acionista receba um número de votos proporcional às suas ações multiplicado pelo número de vagas no conselho. A partir disso, acionistas minoritários conseguem eleger representantes.No entanto, quando o mecanismo é utilizado, o conselho eleito é visto como um bloco único eleito dentro da proporcionalidade do voto múltiplo. A lei ligada ao voto múltiplo prevê a possibilidade de destituição geral quando há uma renúncia.Neste cenário, a companhia irá deliberar a eleição de novos membros do conselho em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 30 de abril.O movimento ocorre em um momento onde o nome da Oncoclínicas está nos holofotes do mercado. Recentemente, a companhia anunciou que seu acionista MAK Capital Fund LP está interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões. Na visão do JP Morgan, a proposta é mais uma evidência da necessidade de capital de curto prazo da companhia.A proposta, no entanto, não é a única na mesa, uma vez que a Oncoclínicas e a Porto firmaram um term sheet (termo de natureza preliminar e não vinculante) para negociar uma potencial constituição de uma nova empresa, em meio à pressão financeira que a rede de serviços oncológicos enfrenta.O Fleury também entrou na jogada, tendo aderido ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas.Reestruturação na OncoclínicasA Oncoclínicas vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business.Na última semana, inclusive, a companhia anunciou que está em discussões com seus credores financeiros.Além disso, a empresa convocou assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que será apurada no balanço referente ao ano de 2025.Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda pode ser utilizado em contratos de dívida como uma forma de segurança sobre a estrutura da empresa.Dessa maneira, a Oncoclínicas busca uma autorização prévia para não cumprir o limite do indicador, caso seja ultrapassado nos resultados de 2025, sinalizando que a alavancagem pode ter aumentado e há pressão financeira de curto prazo.