A eficácia das “canetas emagrecedoras” não é uniforme devido a variações genéticas em cada indivíduo. É o que aponta um estudo publicado na revista Nature nesta semana.A pesquisa, fundamentada em dados de quase 28 mil pacientes fornecidos pelo instituto 23andMe, explica por que algumas pessoas perdem mais de 20% do peso corporal, enquanto cerca de uma em cada dez perde menos de 5%.A descoberta é um passo importante para a medicina de precisão. Isso porque sugere que testes de DNA podem, futuramente, orientar médicos na escolha do tratamento mais adequado e seguro para cada paciente. Além de influenciar o emagrecimento, a genética ajuda a entender a tolerância individual às drogas semaglutida (Ozempic/Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), cujos efeitos colaterais, como náuseas e vômitos, afetam ao menos um terço dos usuários.Variantes no DNA determinam a potência do emagrecimento e o risco de intolerância gástricaImagine os medicamentos (semaglutida ou tirzepatida) como chaves. E nosso corpo tendo várias fechaduras (receptores). O estudo focou em dois genes principais que fabricam essas fechaduras:GLP1R: Responsável pela fechadura na qual a semaglutida se encaixa;GIPR: Responsável pela fechadura na qual a tirzepatida se encaixa.Ao analisar dados sobre os participantes da pesquisa, a equipe de cientistas descobriu “erros de digitação” no DNA (variantes) que mudam tudo.Segundo pesquisa publicada na Nature, a genética explica cerca de 25% da variação do efeito das “canetas emagrecedoras” entre as pessoas – Imagem: Carolina Rudah/iStockExiste uma variante no gene GLP1R (chamada rs10305420) que deixa a fechadura mais estável. Quem tem duas cópias dessa versão perde cerca de 1,28% a mais de peso do que quem não tem. Parece pouco? Em escala populacional, é muita coisa.Já no gene GIPR, uma variação específica faz com que a pessoa tenha até 15 vezes mais chance de vomitar ao usar tirzepatida. Basicamente, o corpo dessas pessoas rejeita o estímulo de forma violenta.No entanto, a genética não é tudo. O estudo mostrou que esses genes explicam apenas uma pequena parte do sucesso do tratamento.O que realmente manda no resultado é o seguinte: Sexo e idade: Mulheres e jovens tendem a perder mais peso;Dose e tempo: Quanto maior a dose e mais tempo de uso, maior o efeito (e os enjoos);Fatores clínicos: Não ter diabetes tipo 2 também ajuda a emagrecer mais rápido com esses remédios.A genética explica cerca de 25% da variação do efeito das “canetas emagrecedoras” entre as pessoas. Os demais 75% continuam sendo um mistério ou dependem do seu estilo de vida e biologia básica. No futuro, um teste de saliva poderá dizer ao médico exatamente qual caneta prescrever para você não passar o dia abraçado com o vaso sanitário.(Essa matéria também usou informações de The Guardian.)O post Por que efeitos de ‘canetas emagrecedoras’ variam? Estudo responde apareceu primeiro em Olhar Digital.