Os contratos futuros do algodão fecharam a sessão desta quinta-feira (09) na Bolsa de Nova York com avanços, influenciados por ajustes técnicos e pela leitura do mercado sobre fundamentos ainda mistos. O vencimento para maio teve ganho de 2,22%, cotado a US$ 73,26 por libra-peso.No cenário externo, o ambiente foi relativamente favorável às commodities com queda do dólar e avanço do petróleo, fator que costuma dar suporte indireto aos preços de fibras naturais.De acordo com o Consultor Independente, Pery Pasotti Pedro, o clima segue como principal vetor de volatilidade. A seca persiste nos Estados Unidos, especialmente no Texas, principal estado produtor, em um momento em que o plantio já começou. “A área afetada por seca avançou de 93% para 95%, bem acima da média histórica para o período, o que reforça que as condições climáticas passam a ditar o comportamento dos preços”, destacou à CNN.O Consultor ainda destacou que apesar da relevância global dos Estados Unidos ser menor em termos de produção e consumo, o país tem peso desproporcional na formação de preços, já que os contratos negociados na bolsa têm entrega física no território americano. “Isso amplia o impacto de fatores locais, como o clima, sobre as cotações internacionais”, informou. Leia Mais Cacau avança mais de 3% em Nova York com queda do dólar Cacau fecha em queda em Nova York com aumento na oferta e estoques elevados Café arábica cai em Nova York com expectativa de safra recorde no Brasil O relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe poucas mudanças para os Estados Unidos. Os estoques finais foram mantidos em 4,4 milhões de fardos, enquanto o preço médio à vista subiu um centavo, para 61 centavos de dólar por libra-peso. Já o balanço global apontou leve aumento nos estoques finais, de 0,65 milhão de fardos, totalizando 77,04 milhões.Os dados semanais de exportação indicaram vendas de 319,58 mil fardos da safra 2025/26 na semana encerrada em 2 de abril. Para a nova safra, o volume foi de apenas 14.051 fardos, o menor desde o início de janeiro. Os embarques somaram 342.744 fardos, também no menor nível das últimas três semanas.No cenário global, o USDA revisou para cima os números da China, com aumento de 65 mil fardos na produção e de 100 mil no consumo. Com isso, as importações chinesas também avançaram em 100 mil fardos, enquanto os estoques finais tiveram leve redução. “No restante do mundo, as mudanças foram marginais em que a produção global subiu menos de 1%, os estoques finais também cresceram levemente, e os volumes de consumo, exportações e importações permaneceram praticamente estáveis”, destacou o Pery.AçúcarNa Bolsa de Nova York, os preços do açúcar enceraram o dia com quedas e o vencimento para entrega em maio registrou baixa de 2,18% e precificado em US$ 13,92 por libra-peso. O Barchart destacou que o preço do açúcar caiu para o menor valor desde março de 2026.Nas últimas quatro semanas, o contratos futuros do açúcar perderam 1,53% e nos últimos 12 meses recuou 21,83%.Os preços do açúcar estão pressionados depois que o Secretária de Alimentos da Índia afirmou que o governo não tem planos de proibir as exportações de açúcar este ano, aliviando as preocupações de que o país possa desviar mais açúcar para a produção de etanol após a interrupção no fornecimento de petróleo bruto causada pela guerra com o Irã.CacauOs contrato futuro do cacau finalizou a sessão com desvalorização de 1,06% na Bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em maio ficou cotado em US$ 3.162 por tonelada.Os preços do cacau fecharam em baixa na quinta-feira, consolidando as perdas desta semana. Na sessão desta terça-feira, o cacau em Nova York caiu para a mínima em um mês.O Barchart pontou que o aumento da oferta de cacau da Costa do Marfim é um fator negativo para os preços, após dados acumulados da Costa do Marfim mostrarem que os produtores enviaram 1,45 milhão de toneladas de cacau para os portos no atual ano comercial, de outubro de 2025 a abril de 2026), um aumento de 0,7% em relação às 1,44 milhão de toneladas no mesmo período do ano anterior.A oferta abundante também está pressionando os preços do cacau, já que os estoques de cacau subiram para um pico de 19,25 meses, atingindo 2.505.563 sacas na quinta-feira.CaféJá os preços futuros do café arábica também encerrou a sessão com leves quedas na bolsa de Nova York, em que o vencimento para maio registrou baixa de 0,12% e está precificado em US$ 2,937 por libra-peso.O Barchart destacou que a valorização do real limitou as quedas, com a moeda brasileira atingindo a maior cotação em 23 meses frente ao dólar na quinta-feira. O real mais forte desestimula as exportações dos cafeicultores brasileiros.A consultoria Safras & Mercado pontuou que os produtores tendem a negociar de forma pontual nos próximos meses, conforme a necessidade.Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) na posição de 08 de abril de 2026 estão em 548.544 sacas de 60 quilos, com aumento de 1.824 sacas em relação ao dia anterior.Suco de laranjaO contrato futuro para entrega maio do suco de laranja fechou o dia na bolsa de Nova York cotado a US$ 1.938,00 por tonelada e forte queda de 5,51%.