O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), pediu desculpas nesta quinta-feira (9) a Ronaldo Caiado por não tè-lo parabenizado pela indicação como pré-candidato à Presidência da República pelo PSD.“Estive hoje com o governador Caiado e aproveitei para, antes de mais nada, me desculpar pela indelicadeza não intencional de não tê-lo parabenizado pela indicação como pré-candidato do PSD”, escreveu nas redes sociais.Caiado pode crescer junto a eleitores de Flávio, diz Kassab | CNN 360°Leite era um dos nomes que o PSD tinha à disposição para a disputa pela cadeira de chefe do Executivo. Logo após a oficialização do nome de Caiado, o governador gaúcho fez uma publicação dizendo que o nome escolhido pela legenda contribuía para a polarização.Junto com as felicitações desta quinta, o governador do Rio Grande do Sul divulgou uma carta ao pré-candidato com “temas relevantes” que espera serem debatidos e defendidos durante a campanha. Leia Mais Caiado terá palanques robustos em todos os estados, garante Kassab Flávio, Zema e Caiado se encontrarão no RS Flávio Bolsonaro mira base de direita e agro em agendas no MS e RS No texto, dentre outros assuntos, Leite afirma que a pacificação não vai ser alcançada com a anistia ampla a envolvidos em ataques à democracia — tema defendido por Caiado.Kassab diz que espera ver Ratinho Jr. e Eduardo Leite na Presidência | CNN 360º“Não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios. Uma medida dessa natureza, logo no início, tende a interromper o diálogo com uma parcela significativa da população, que não se sente representada por esse caminho”, escreveu Leite.Em contrapartida, o governador reconhece que “eventuais excessos podem e devem ser debatidos”, mas argumenta que “há caminhos institucionais mais adequados para isso, como o aperfeiçoamento da dosimetria das penas, algo que já vem sendo analisado no Congresso Nacional”.“Acredito que o Brasil precisa de uma alternativa que represente equilíbrio, serenidade e responsabilidade. E acredito, sinceramente, que é possível construir essa alternativa — desde que haja disposição verdadeira para ampliar, para ouvir e para integrar”, acrescentou.Na carta, Leite diz ter muito respeito pela trajetória de Caiado e alega ser importante “reconhecer a importância desse momento para o Brasil”.Leia o texto na íntegra“CARTA AO PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA PELO PSDA política, na sua melhor expressão, não é o espaço da uniformidade. Ela é o espaço da construção de convergências entre diferentes.Nós não precisamos pensar igual para caminhar juntos. Mas precisamos ter clareza sobre o que nos une, sobre os valores e compromissos que sustentam essa caminhada.Tenho respeito pela trajetória do governador Ronaldo Caiado, pela sua experiência e pela sua disposição de liderar um projeto nacional. E é justamente por reconhecer a importância desse momento para o Brasil que acredito que alguns pontos merecem destacada atenção, especialmente para aqueles que, como eu, se identificam com um campo mais ao centro, equilibrado e comprometido com responsabilidade.O Brasil precisa, mais do que nunca, superar a lógica da polarização radicalizada. Precisa de um projeto que não se defina por oposição a este ou àquele nome, mas que se afirme por uma visão própria de país. Uma visão que una responsabilidade fiscal com sensibilidade social, firmeza institucional com capacidade de diálogo.É importante que qualquer candidatura que pretenda representar esse espaço deixe claro seu compromisso com:o respeito às instituições e à democracia, sem ambiguidades;a responsabilidade na condução das contas públicas, com coragem para enfrentar reformas necessárias;a compreensão de que, em um país com enorme desigualdade social, é urgente se colocar o Estado como promotor da igualdade de oportunidades, com políticas sociais efetivas na promoção das pessoas;a construção de governabilidade com integridade, sem atalhos que comprometam o futuro;e, sobretudo, a disposição de dialogar com diferentes, sem alimentar conflitos que o Brasil já cansou de viver.Também é essencial que haja gestos concretos nessa direção. Gestos que sinalizem abertura, moderação, capacidade de agregar, seja na formação de equipes, no discurso ou na forma de fazer política.E, nesse espírito de franqueza respeitosa, embora deseje focar nas nossas tantas convergências, eu não posso deixar de mencionar um ponto em que penso diferente.Compreendo que há, por parte do governador Caiado, a verdadeira intenção de buscar a pacificação do país ao tratar da questão envolvendo os atos de 8 de janeiro. Esse é um objetivo que todos nós devemos compartilhar.Mas, sinceramente, não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios. Uma medida dessa natureza, logo no início, tende a interromper o diálogo com uma parcela significativa da população, que não se sente representada por esse caminho.Isso não significa fechar os olhos para a necessidade de equilíbrio e justiça. Eventuais excessos podem e devem ser debatidos. E há caminhos institucionais mais adequados para isso, como o aperfeiçoamento da dosimetria das penas, algo que já vem sendo analisado no Congresso Nacional.Ou seja, é possível buscar justiça com equilíbrio, sem abrir mão da responsabilidade institucional e sem comprometer a construção de um ambiente de diálogo mais amplo.Eu acredito que o Brasil precisa de uma alternativa que represente equilíbrio, serenidade e responsabilidade. E acredito, sinceramente, que é possível construir essa alternativa — desde que haja disposição verdadeira para ampliar, para ouvir e para integrar.Se esses caminhos forem trilhados com clareza e consistência, será natural que muitos de nós possamos nos sentir representados e, a partir disso, engajados em um projeto comum para o país.Porque é disso que se trata: não de impor visões, mas de construir um caminho compartilhado para o Brasil avançar.”Prazo para tirar o título de eleitor vai até 6 de maio