O avanço consistente nos preços da arroba do boi gordo tem levado frigoríficos a ajustarem suas operações, incluindo a adoção de férias coletivas e redução de turnos em algumas unidades. O movimento reflete a pressão sobre as margens da indústria, diante do aumento expressivo no custo da matéria-prima.Nesse contexto, a JBS adotou férias coletivas em duas unidades de abate em Mato Grosso para manutenção industrial e ajustes operacionais. Segundo apuração da CNN Brasil, as plantas de Água Boa (MT) e Pedra Preta (MT) terão as atividades suspensas por cerca de 20 dias a partir da próxima segunda-feira (13). Leia Mais Boi gordo volta ao patamar de US$ 70 por arroba após quatro anos Carne bovina sustenta preços no início do ano; suína e frango recuam Confinamento segue firme apesar de custos altos e incertezas na demanda Já a MBRF também estaria promovendo adequações nos turnos das fábricas nas unidades de Várzea Grande (MT) e Promissão (SP).O cenário de férias coletivas ocorre em meio à forte valorização da arroba. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) apontam que, apenas na semana passada, o preço do boi gordo a prazo em Mato Grosso avançou 2,41%, com cotação média de R$ 349,50 por arroba.A oferta restrita de gado terminado segue sustentando a alta da arroba em Mato Grosso. Segundo a Scot Consultoria, frigoríficos têm pago os preços pedidos para conseguir completar as escalas, o que elevou as cotações em todas as regiões.Na média, o boi gordo gira entre R$ 357,00/@ e R$ 360,00/@ no estado, com altas de até R$ 3,00/@ no dia. A vaca está ao redor de R$ 327,00/@ a R$ 330,00/@, enquanto a novilha varia entre R$ 337,00/@ e R$ 347,00/@. As escalas de abate seguem curtas, entre quatro e oito dias.O chamado “boi China”, animal que atende aos protocolos sanitários exigidos pelo mercado chinês, como idade mais jovem e rastreabilidade, também avançou, sendo cotado em R$ 365,00/@. Esse padrão recebe ágio de até R$ 8,00/@ sobre o boi comum, refletindo a forte demanda para exportação.Além disso, informações da Hedge Agro mostram mudanças relevantes na atuação dos frigoríficos no mercado futuro. Na semana de 26 de março, o as industrias entraram comprando 4.598 contratos.Já na semana seguinte, houve uma reversão completa da estratégia, com ampliação da posição vendida em 6.249 contratos. “O movimento indica uma atuação mais tática no curto prazo, com proteção em horizontes mais longos”, informou a consultoria. A CNN Brasil procurou as industrias frigoríficas, mas preferiram não se manifestar sobre o assunto até o fechamento desta matéria.