“Suéteres” para edifícios podem reduzir custos de energia em até 23%

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Quem vive em um país tropical, como o Brasil, não tem ideia de quanto custa aquecer uma casa no inverno, principalmente para os inquilinos. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 24 milhões de pessoas relatam que chegam até a deixar de comer para não sofrer com as baixas temperaturas.Na busca por uma solução desse problema antigo, pesquisadores da University of Massachusetts Amherst desenvolveram painéis removíveis de tecido capazes de reduzir o consumo de aquecimento doméstico. Publicada na revista ACS Applied Engineering Materials, a pesquisa reúne química, arquitetura e engenharia civil em uma proposta propositalmente simples. Leia mais QR Code microscópico entra no Guinness e promete guardar dados por séculos Entenda a tecnologia de bateria da BYD na Linha 17-Ouro, em SP Pingente inteligente com IA traduz e resume conversas; veja como funciona Uma das autoras principais do artigo, a professora de arquitetura paisagística Carolina Aragón, explica em um comunicado à imprensa por que uma solução simples funciona melhor. “Quando você está com frio, você veste um suéter; então começamos a pensar: o que você faria se fosse um prédio?”.A definição dos objetivos da pesquisa foi marcada por essa simplicidade. Em vez de reformas estruturais caras e inacessíveis a inquilinos, os autores buscaram algo que qualquer pessoa pudesse instalar por conta própria, sem depender do proprietário do imóvel nem de obras invasivas.A solução veio na forma de revestimentos leves fixados em fachadas externas que, além de capturarem radiação solar e a converterem em calor, funcionam também como isolante, reduzindo a perda de calor pelo envelope da construção.Como a tecnologia funciona na práticaOs painéis funcionam em duas frentes: capturam radiação solar e a convertem em calor, e reduzem a perda do calor interno para o exterior • Evan D. Patamia/ACS Applied Engineering Materials, 2026/DivulgaçãoA invenção em si não é o tecido usado, mas um corante fototérmico especial desenvolvido pela professora de química Trisha Andrew. Criado em seu laboratório Wearable Electronics Lab, esse corante é um polímero orgânico funcional aplicado por técnica de deposição, que tem capacidade de absorver luz solar em largo espectro e convertê-la em calor com alta eficiência.Como o corante é aplicável a praticamente qualquer substrato têxtil, a equipe optou por testá-lo em tecido de guarda-chuva — um material resistente, impermeável e barato. A escolha foi intencional, pois a tecnologia precisava ser acessível. “Não precisa ser em um tecido caro”, ressalta Andrew.As simulações computacionais avaliaram as duas propriedades físicas dos painéis: enquanto o corante fototérmico aquece a superfície externa da parede, o componente isolante reduz a perda de calor do interior do edifício, criando uma barreira entre o interior aquecido e o frio externo.Mas a inovação não fica apenas na tecnologia. Como a base é um corante, ele pode ser aplicado em padrões decorativos variados, permitindo que os painéis se integrem à identidade visual de diferentes regiões e culturas. “É importante acertar na parte arquitetônica e estética, além da científica”, afirma Aragón.Resultados das simulações e próximos passosAlém da parte científica, os autores buscaram imprimir e dispor os painéis de forma decorativa • Evan D. Patamia et al., ACS Applied Engineering Materials, 2026/DivulgaçãoEnquanto uma reforma residencial tradicional pode resultar em redução de 2% nos custos de energia, as simulações indicam que os painéis podem manter o interior de uma residência até 4,5°C mais quente ao longo do dia. Em termos de consumo energético, a redução projetada pela modelagem é de até 15% em casas e até 23% em grandes edifícios de apartamentos.Vale lembrar que esses percentuais vêm de modelos computacionais, não de experimentos físicos. A própria equipe reconhece que testes com protótipos em tamanho real ainda são necessários antes que a tecnologia possa ter seus resultados comprovados fora do laboratório.Além dos impactos positivos nas mudanças climáticas e na redução do preço das contas de aquecimento, a nova proposta abrange um problema social específico: o “despejo por reforma”, fenômeno em que proprietários reformam imóveis e aumentam o aluguel além do que os inquilinos conseguem pagar.Por ser removível e instalável pelo próprio morador, o painel não depende de obras — e não dá ao proprietário motivo nem pretexto para reajustes. A equipe imagina um cenário do tipo “faça você mesmo”, no qual rolos do tecido vendidos em lojas de materiais de construção seriam instalados pelo próprio inquilino em uma tarde, sem necessidade de mão de obra especializada.Hidrogel aumenta em 13% eficiência de painéis solares