Quem é Maurício Camisotti, empresário que confessou fraudes bilionárias no INSS

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O empresário Maurício Camisotti assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) no qual confessou as fraudes nos descontos indevidos em benefícios do INSS. Sendo a primeira delação do caso, o material já foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), com a expectativa da defesa de que o empresário — que está preso desde setembro do ano passado — consiga o benefício da prisão domiciliar.Além de ter confessado as fraudes nos descontos, Camisotti também é acusado de corrupção para facilitar o esquema e de fraude na arrecadação das dívidas. Ele é apontado pelas investigações como um dos principais operadores da “Operação Sem Desconto”, atuando como líder empresarial e sócio oculto da Associação Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, a AMBEC. A denúncia destaca que ele era um dos beneficiários diretos das fraudes, responsáveis por movimentar mais de R$ 1 bilhão.Em junho do ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens e ativos financeiros de associações, empresas e pessoas físicas investigadas por suspeita de fraudes contra aposentados e pensionistas. Uma das instituições era a AMBEC, cujo os seguintes réus tiveram seus bens bloqueados: Jose Hermicesar Brilhante Palmeira, Marilisa Moran Garcia, Antonio Fratic Bacic, Luciene de Camargo Bernardo. O valor foi de R$ 512.944.978,69.As autoridades apontam que as entidades responsáveis pelos descontos nas aposentadorias e as empresas que prestavam serviços a elas funcionavam, na verdade, como uma fachada estruturada para a lavagem de dinheiro. O empresário foi alvo da mesma fase da operação policial que prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes, “Careca do INSS”.A atuação do empresário foi citado da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O relatório final elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) propunha o indiciamento de Camisotti, classificando-o como o líder empresarial do rombo bilionário na AMBEC. O documento, no entanto, acabou sendo rejeitado pelo colegiado por 19 votos a 12 após mobilização de aliados do governo, fazendo com que a CPMI fosse encerrada sem a aprovação de um relatório final.Relatório reprovadoA CPMI do INSS rejeitou, no último dia 28, o relatório final sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O documento formulado propôs o indiciamento de 216 pessoas, dentre elas o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o “Lulinha”. Foram 19 votos contra 12.Segundo o relatório, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria mantido vínculos com operadores centrais do esquema, inclusive em viagens internacionais e transações financeiras suspeitas em parceria com o “Careca do INSS”. O documento também sugeriu alteração na legislação, como: criminalizar especificamente a abordagem abusiva de idosos para oferta de crédito; iniciar o processo criminal contra o autor da fraude automaticamente, sem depender de queixa, no caso de vítimas com mais de 60 anos; e fortalecer as prerrogativas de investigação das CPIs.O relatório também indicou o indiciamento de:“Careca do INSS”: principal operador financeiro e lobista, que gerenciava empresas de fachada para circular o dinheiro desviado e pagar propinas a agentes públicos;Daniel Vorcaro, do Banco Master: Por irregularidades em contratos de consignados sem comprovação de veracidade;Alessandro Antônio Stefanutto, ex-presidente do INSS: apontado como o “cabeça” das atividades ilícitas na autarquia, facilitando a aprovação de acordos com entidades fraudulentas e obstruindo fiscalizações em troca de propinas mensais de aproximadamente R$ 250 mil;Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS: supostamente utilizou sua posição para conferir viabilidade jurídica ao esquema e afrouxar controles, recebendo pelo menos R$ 6,5 milhões em propinas;André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de benefícios do INSS: responsável por garantir a celebração de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com as associações investigadas e impedir auditorias internas mediante o recebimento de vantagens indevidas;Maurício Camisotti: apontado como líder empresarial e sócio oculto da associação AMBEC, sendo um dos beneficiários diretos das fraudes que movimentaram mais de R$ 1 bilhão;Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer: suposto mentor intelectual da organização criminosa no núcleo da Conafer, determinando a obtenção fraudulenta de assinaturas de idosos e controlando a distribuição dos recursos desviados;Cecília Rodrigues Mota: advogada e articuladora central, acusada de ser responsável por conferir aparência de legalidade às fraudes, pagar propinas e controlar associações por meio de “laranjas”;Senador Weverton Rocha (PDT-MA): supostamente atuou como “sustentáculo político” da organização criminosa e recebeu benefícios como sócio oculto em operações do grupo.Euclydes Pettersen (Republicanos-MG): apontado como figura essencial no esquema da Conafer, atuando como interlocutor para garantir a indicação de nomes de interesse da organização para a presidência do INSS;Maria Gorete Pereira (MDB-CE): foi alvo da sexta fase da Operação Sem Desconto. O relatório aponta indícios robustos de sua participação em crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro;Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência: padrão de omissão deliberada, prevaricação e blindagem política de agentes instalados na cúpula do INSS;José Carlos Oliveira (Mohamad Oliveira Andrade), ex-ministro do Trabalho e Previdência: atuava, supostamente, como facilitador e beneficiário de uma rede criminosa instalada no topo da administração previdenciária.