Amizade em Portugal: jovens encontram-se menos, mas qualidade pesa três vezes mais no bem-estar

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De acordo com os dados, a amizade continua a ser um elemento central na felicidade dos portugueses, mas as dinâmicas estão a mudar. Nos últimos dez anos, verificou-se uma redução tanto no número de amigos como no número de amigos íntimos, com maior impacto nas gerações mais jovens.Baseado numa amostra de mil inquiridos entre os 18 e os 64 anos em Portugal, a investigação revela um país onde os hábitos sociais estão diferentes.Jovens têm mais amigos, mas convivem menosApesar de os jovens continuarem a apresentar redes sociais mais alargadas, são também o grupo que menos convive presencialmente com amigos quando comparado com 2015. A tendência aponta para uma diminuição do contacto direto, mesmo num contexto em que a maioria afirma não sentir que a pandemia teve impacto relevante nas suas relações sociais.Ainda assim, o convívio regular mantém-se significativo: cerca de 63% dos jovens encontram-se com amigos pelo menos uma vez por semana, acima dos 51% registados entre os mais velhos. No entanto, em ambos os grupos, a frequência de encontros tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos.Qualidade das amizades pesa mais do que quantidadeUm dos principais dados do estudo revela que a qualidade das amizades tem um impacto até três vezes superior no bem-estar dos portugueses face ao número de amigos.As relações de amizade destacam-se, aliás, face a outros tipos de ligação: a qualidade destas relações tem o dobro do impacto no bem-estar quando comparada com as relações familiares.Este dado reforça a importância de relações próximas, baseadas em confiança e apoio, em detrimento de redes sociais mais amplas mas menos profundas.Confiança e presença continuam a definir uma amizadeMais de metade dos portugueses define um bom amigo como «alguém que está sempre presente». Entre as características mais valorizadas surgem ainda a confiança, a honestidade, o apoio e a reciprocidade.A confiança destaca-se como o valor central nas relações de amizade, seguida da intimidade e da capacidade de suporte emocional, evidenciando a relevância de ligações consistentes num contexto social cada vez mais digital.Contacto presencial continua a ser essencialApesar da crescente digitalização das relações sociais, o estudo sublinha que o contacto presencial mantém um papel fundamental na construção de relações duradouras.A diminuição da frequência de encontros, sobretudo entre os mais jovens, levanta desafios sobre o futuro das relações interpessoais, num contexto marcado por agendas mais exigentes e maior dependência de interações digitais.Segundo o estudo, a redução do convívio não resulta de uma menor valorização da amizade, mas sim de constrangimentos associados ao tempo e ao estilo de vida.O conteúdo Amizade em Portugal: jovens encontram-se menos, mas qualidade pesa três vezes mais no bem-estar aparece primeiro em Revista Líder.