“Foi acima do esperado”: choque de commodities pressiona inflação no Brasil, segundo especialista da Lifetime

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O IPCA surpreendeu o mercado e subiu mais do que as projeções, agora, a inflação acumulada está um pouco mais próxima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Nesta sexta-feira (10), o Ibovespa também chegou a renovar as máximas históricas hoje.No Giro do Mercado, a jornalista Giovana Leal recebeu Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime para comentar os principais destaques do dia.A inflação medida pelo IPCA subiu 0,88% em março e acumulou alta de 4,14% em 12 meses. A alta foi puxada pelos preços dos grupos Transportes e Alimentação, especialmente da gasolina. Outras altas ocorreram em passagem aérea e diesel.Para Kawauti, muito dessa alta está associado aos preços do petróleo elevados, impulsionados pela guerra no Oriente Médio. “Já esperávamos que a alta fosse acontecer em gasolina e óleo diesel, mas foi acima do esperado. Certamente combustível teve uma alta puxada pela questão do choque de commodities. O mesmo aconteceu com os alimentos”, explicou.Por enquanto, essa alta de preços está limitada a esses dois setores. Quando analisamos outros componentes do IPCA, observamos pressões dentro do esperado, inclusive algumas que ainda preocupam, como é o caso do setor de serviços”, completou.Em relação à continuidade da repercussão da guerra na economia brasileira, a especialista afirmou: “começamos a ver os impactos da guerra no IPCA de março e provavelmente vamos ver efeitos ainda mais relevantes em abril. Esse grupo dos combustíveis já foi afetado, mas a Petrobras ainda não repassou o aumento do preço da commodity para as distribuidoras”.Quando esse repasse acontecer, as consequências sobre o IPCA podem ser ainda maiores, de acordo com a economista. Além disso, ela destaca o impacto importante de frete sobre os preços dos alimentos.Outro destaque de hoje foi o Ibovespa, que renovou a máxima histórica e chegou aos 196 mil pontos, enquanto o dólar caia e operava na casa dos R$ 5,00 no mesmo horário.No cenário internacional, algumas atualizações sobre a guerra na Ucrânia: o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um cessar-fogo durante um período de dois dias para a Páscoa Ortodoxa e esperava que o lado ucraniano fizesse o mesmo. Os dois países estão se movendo em direção a um possível acordo para acabar com a guerra.Já no Oriente Médio, a expectativa agora é de acordos de paz definitivos. Ontem (9), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país busca “iniciar negociações diretas com o Líbano o mais breve possível”. *Com supervisão de Renan Sousa