Principais alvos da Operação Carbono Oculto, Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Mourad, conhecido como “Primo”, foram localizados por autoridades brasileiras na Líbia. A fuga de mais de 9 mil quilômetros até o país do norte da África ocorreu, segundo investigadores que acompanham o caso, após a dupla entrar na mira da Polícia Federal e do Ministério Público.É de lá que os dois, atualmente na lista de foragidos da Interpol, negociam uma colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a dupla apresentou uma proposta em que denunciam magistrados. No ano passado, porém, uma tentativa de acordo em qual os empresários citavam políticos foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).Leia também“Beto Louco” apresenta delação ao MP e detalha fraudes da Carbono OcultoAnexos enviados ao MP-SP incluem celulares e promessa de detalhar fraudes investigadas na operação Carbono OcultoVorcaro entregará delação na próxima semana com proposta de pagamentos, diz jornalAlém de contrapartidas pelas informações, acordo deve prever o pagamento de multas bilionárias pelo ex-banqueiroPrimo e Beto Louco são apontado como elementos centrais do esquema que permitiu ao Primeiro Comando da Capital (PCC) se infiltrar no setor de combustíveis e chegar ao coração financeiro do país. Cerca de mil postos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, segundo as investigações.Segundo as apurações, Beto Louco era responsável por gerir empresas utilizadas pelo grupo para fraudes fiscais e ocultação de recursos. A defesa do empresário afirma ser “falsa e fantasiosa qualquer alegação de ligação de seu cliente com o PCC”. A defesa de Mourad também nega qualquer relação de seu cliente com o crime organizado.Os investigadores apuram se Beto Louco exercia o papel de articulador político do grupo. Como revelou O GLOBO, registros de entrada do terminal dedicado à aviação executiva no Aeroporto de Brasília mostram que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, esteve no local no mesmo dia e horário em que o empresário. O local é usado por passageiros que utilizam jatinhos para chegar à capital federal ou deixar a cidade. O dirigente partidário, contudo, nega ter viajado no mesmo avião que o empresário. A PF investiga a relação entre os dois.A relação entre Rueda e Beto Louco já era conhecida pelas autoridades. Reportagem da revista piauí, publicada no mês passado, afirma que os dois trocaram diversas mensagens de WhatsApp entre outubro de 2023 e maio de 2024. Os diálogos, segundo a publicação, foram apresentados à PGR pela defesa do empresário durante as negociações para fechar um acordo de colaboração premiada, que ainda não foi concretizado.Os investigadores também apuram se Beto Louco atuava como articulador político do grupo. Em depoimento à PF, o piloto Mauro Caputti Mattosinho disse ter transportado diversas vezes Beto Louco e Mourad em aviões pertencentes à Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), da qual ele era funcionário. Segundo Mattosinho, Rueda seria o dono de fato da empresa, o que o dirigente nega.The post Beto Louco e Primo, que negociam delação premiada, são localizados na Líbia appeared first on InfoMoney.