Vale é compra? Duas visões do mercado sobre o que fazer com as ações da mineradora

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Após máximas históricas serem atingidas em meados de fevereiro, beneficiadas pela combinação de bons resultados operacionais e pelo momento favorável da bolsa brasileira, as ações da Vale (VALE3) passaram por uma correção parcial, acompanhando o movimento mais amplo do mercado diante do cenário de forte aversão a risco nos mercados globais trazido pela guerra no Irã. Ainda assim, aponta o BB Investimentos, os papéis da Vale se mostraram resilientes e voltaram à trajetória de alta nas últimas semanas, apoiados pelas sinalizações e posterior confirmação de um cessar-fogo.Neste sentido, os analistas do banco projetaram um novo preço-alvo de R$ 89 para as ações da Vale (ante valor anterior de R$ 75), mantendo recomendação neutra. O banco ressalta que, após a alta acumulada, a ação está agora sendo negociada a um EV (valor da empresa)/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) próximo à média histórica. Assim, apesar de seguir com uma visão positiva sobre a companhia e sobre a atratividade da tese de investimento, mantém recomendação neutra para as ações VALE3, refletindo o baixo potencial de valorização frente ao novo preço‑alvo para o final de 2026 de R$ 89,00.O BB-BI aponta que, apesar das incertezas que ainda persistem e dos potenciais impactos das tensões geopolíticas sobre o crescimento global e, consequentemente, na demanda por commodities metálicas, a expectativa é de resultados robustos à frente. Isso é apoiado por: (i) continuidade da evolução operacional da Vale, (ii) manutenção de preços de commodities metálicas em patamar elevado, (iii) crescente contribuição da VBM (Vale Base Metals, unidade de metais básicos), e (iv) na sólida geração de caixa, tende a mitigar parte desses riscos e deve continuar sustentando um desempenho relativamente mais resiliente das ações da companhia em relação ao mercado.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe perto de 1%, após recorde, acima de 197 mil pontosBolsas dos EUA operam mistas antes do encontro diplomático no PaquistãoEm termos de retorno de caixa aos acionistas, o BB-BI lembra que foram distribuídos US$ 2,8 bilhões em proventos (R$ 3,58/ação) entre janeiro e março/2026, que incluíram tanto os dividendos ordinários referentes ao resultado do 2S25 (usualmente pagos em março, conforme a política da companhia), como US$ 1 bilhão em dividendos extraordinários, em linha com a forte geração de caixa da Vale. Para 2026, o banco aponta que a perspectiva é de continuidade de um fluxo de caixa positivo, com a companhia reiterando que, além das condições de mercado, a decisão por uma maior distribuição de caixa aos acionistas – via dividendos extraordinários ou recompras de ações – dependerá da evolução da dívida líquida expandida, cujas chances aumentam à medida que o indicador recue para níveis abaixo de US$ 15 bilhões (centro da meta), após ter encerrado 2025 em US$ 15,6 bilhões.Os analistas ressaltam que a Vale vem apresentando um sólido desempenho operacional em todos os segmentos, com especial destaque para as operações da VBM. O negócio alcançou estabilidade operacional e teve forte crescimento de volumes, que combinado com preços elevados de cobre, níquel e dos principais subprodutos (sobretudo o ouro), resultou em um salto de 130% anualmente no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do segmento em 2025 – que representou mais de 20% do Ebitda consolidado da Vale no ano, mais do que o dobro de sua participação no ano anterior.O JPMorgan, por sua vez, revisou suas estimativas para a Vale após os resultados do 4T25, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 99. No geral, para o 1T26, o banco espera que a sazonalidade mais fraca do minério de ferro seja parcialmente compensada por resultados melhores da unidade VBM. Na unidade de metais ferrosos, projeta: (a) volumes ligeiramente maiores em relação ao ano anterior, com vendas atingindo cerca de 68,5 milhões de toneladas; (b) preços estáveis ​​do minério de ferro em relação ao trimestre anterior; e (c) custos mais altos. No total, espera um Ebitda de aproximadamente US$ 4 bilhões para o trimestre.O banco recomenda compra e destaca vários fatores positivos claros. “O principal fator foi o acordo em torno de Mariana, que pôs fim e definiu um número definitivo para uma grande incerteza da empresa. Além disso, a empresa vem apresentando desempenhos positivos, especialmente em seu negócio de minério de ferro, com produção sólida, aliada a uma tendência de queda nos custos, o que contribui para uma perspectiva operacional favorável”, destaca. Além disso, acredita que existe uma grande discrepância entre o desempenho das ações da Vale e o de seus pares, e reitera visão positiva e recomendação de compra.The post Vale é compra? Duas visões do mercado sobre o que fazer com as ações da mineradora appeared first on InfoMoney.