A missão Artemis II representa um importante avanço para os estudos médicos, especialmente relacionados à pressão intracraniana e alterações no sistema cardiovascular humano. Em entrevista ao Agora CNN, o cardiologista e gerente do Hospital Sírio-Libanês, Fabio Lario, explicou que a missão apresenta condições únicas para a medicina.Diferentemente da Estação Internacional Espacial, que fica a cerca de 500 quilômetros de altitude, a Artemis II alcançou distâncias muito maiores, expondo os astronautas a níveis diferentes de radiação solar, sem a proteção natural do campo magnético terrestre.“A essa distância, os astronautas são submetidos a diferentes radiações, diferentes energias que acabam atravessando o corpo humano e a espaçonave”, detalhou.Como a missão durou dez dias, dois dias a mais que a Apolo 11, o corpo humano ficou exposto por mais tempo a essas condições extremas.Efeitos da microgravidade no corpo humanoUm dos pontos mais importantes da missão para a medicina é o estudo dos efeitos da microgravidade no organismo.Segundo Lario, a ausência de gravidade provoca alterações significativas no sistema cardiovascular. “Imagina que nosso coração e nossos vasos sanguíneos estão adaptados para que os líquidos do corpo sejam puxados pela gravidade em direção às nossas pernas. Na espaçonave, eles perdem isso”, explicou.Como resultado, ocorre um aumento dos líquidos na região do crânio, causando inchaço e pressão no nervo óptico, com risco de perda de visão. Leia mais: Artemis II: especialistas explicam como missão pode impulsionar a medicina Doutor em Física faz balanço sobre fim da missão Artemis II Artemis II: Astronautas falam publicamente após missão à Lua “A gente sabe que tem situações de doenças, por exemplo, que também aumentam a pressão intracraniana, que alteram esse nosso equilíbrio de líquidos no corpo. Então, esses aprendizados também podem ser aplicados para essas outras situações”, afirmou o médico.Avanços tecnológicos e aplicações na TerraDiferentemente das missões anteriores, os astronautas da Artemis II contaram com proteções seletivas para as células do corpo em suas vestimentas, que podem proteger com maior intensidade as células da medula óssea da radiação solar.Além disso, biossensores e dispositivos que não estavam disponíveis em outras épocas foram levados, como ultrassonografia portátil para medir os efeitos no corpo.Lario destacou que os conhecimentos adquiridos em missões espaciais podem ser aplicados em situações terrestres. “A gente aprender com essas situações e poder aplicar correções e proteções na nossa vida cotidiana é de bastante importância”, ressaltou.Outro benefício destacado pelo médico é o avanço na telemedicina.Como os astronautas ficam isolados durante toda a missão, sem possibilidade de retorno imediato em caso de emergência, isso permite o desenvolvimento de soluções que podem ser replicadas para ambientes remotos no planeta, beneficiando pessoas que não têm acesso a especialistas ou tecnologias médicas avançadas. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.