Lula: ‘disse ao companheiro Moraes: não permita que biografia construída com o 8 de janeiro seja jogada fora com o caso Master’

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta (8) uma profunda investigação sobre o caso do Banco Master e uma “punição exemplar” independente de quem estiver envolvido em possíveis crimes. Ele admitiu que “obviamente” a imagem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi prejudicada com o envolvimento dele no caso e revelou um conselho dado ao magistrado.“Obviamente que o companheiro Alexandre de Moraes sabe que (o caso) prejudica a sua imagem. Eu disse a ele: você construiu uma biografia histórica no País com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que isso seja jogado fora com o caso do Banco Master”, afirmou o presidente em entrevista ao ICL Notícias, em Brasília (DF).Ministro responsável por julgar a tentativa de golpe em janeiro de 2023 e por mandar para a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes foi citado em conversas telefônicas de Daniel Vorcaro, dono do Master, preso durante o processo de liquidação do banco. Moraes teve ainda sua esposa, Viviane Barci de Moraes, atuando em processos do Master. Lula defendeu que Moraes venha a público se explicar de que não advoga há mais de uma década, já que ocupou cargos públicos até chegar ao Supremo e que se declare impedido de julgar processos sobre o banco e Vorcaro. “É preciso uma punição exemplar, independente de quem for. Quem tiver envolvido tem de pagar o preço, senão não se educa a sociedade”, disse Lula. Ele cobrou ainda o aprofundamento da investigação sobre o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que autorizou a operação do Banco Master.Segundo Lula, o ex-presidente da autoridade monetária Ilan Goldfajn rejeitou a operação do banco, autorizada posteriormente por Campos Neto. “Ele legalizou e todas as falcatruas na árvore genealógica do banco estão no governo Bolsonaro. Qual foi a serpente que colocou o ovo? Foi o senhor Roberto Campos”, disse o presidente, lembrando que Campos Neto foi alçado à presidência do BC no mandato de Jair Bolsonaro. Na avaliação do presidente, se houver uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master Campos Neto deveria ser um dos principais depoentes. Ele também colocou à disposição para falar sobre o escândalo. “Eu faria questão de presar depoimento, porque se a gente não fala o que a gente pensa, eles falam o que imaginam”.Lula cobrou que uma possível delação premiada de Vorcaro seja tratada com cuidado e traçou um paralelo com a delação do empresário Leo Pinheiro, da OAS, durante a Operação Lava Jato. Ele mudou sua versão sobre o possível envolvimento do atual presidente após negar, em três depoimentos, a participação dele. A delação de Pinheiro foi fundamental para levar Lula à cadeia por 580 dia e impedi-lo de disputar as eleições de 2018. Banco Master na campanha eleitoralPara Lula, o caso Master e a citação a Moraes e de outros ministros do Supremo serão utilizados na campanha eleitoral como um dos argumentos da extrema direita para uma futura intervenção no STF caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito. “Estão carimbando o Alexandre de Moraes por causa do papel dele no 8 de janeiro”.Segundo o presidente, há uma tentativa de “consolidar o esquema de ultradireita” no Brasil com, segundo ele, ameaças de se fechar o STF e de desacreditar as instituições. “Vamos precisar de ter competência para explicar à sociedade o significado da democracia, de que democracia não é só votar. É votar e ter direitos”, afirmou o presidente.Desenrola não desenrolouAinda na entrevista, o presidente afirmou que o programa Desenrola de renegociação de dívidas não deu certo e que o governo federal procura outra solução para o endividamento da população. Ele não deu exemplo, mas, entre as alternativas está a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento nas renegociações.Por fim, Lula voltou a defender a reestatização de refinarias de petróleo como forma de ajudar o governo a intervir nos preços de combustíveis em época de choques, como atualmente. Ele citou como o exemplo a refinaria Landulpho Alves, na Bahia, privatizada em 2021“Se depender de mim, as refinarias serão reestatizadas. Na Bahia, queremos comprar de volta, mas obviamente que estão discutindo o preço”, concluiu