Rede de virologistas monitora nova variante da Covid-19; entenda a BA.3.2

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Uma nova variante de Covid-19, a BA.3.2 – chamada informalmente de “Cicada” –, está sendo monitorada pela Rede Global de Vírus (GVN), organização que reúne especialistas de mais de 90 centros internacionais.Essa cepa apresenta uma capacidade maior de driblar o sistema imunológico, mas a GVN ressalta que os dados disponíveis até o momento não justificam um estado de alerta ou preocupação excessiva.Em comunicado divulgado no último fim de semana, a entidade explicou que as mutações observadas na BA.3.2 facilitam o escape de anticorpos, o que pode elevar as chances de novas infecções e reinfecções. Porém, “isso não implica redução da proteção contra doença grave. Essas mudanças são consistentes com a evolução esperada do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios”, segundo a nota.Leia mais: Anvisa endurece fiscalização sobre canetas emagrecedoras e mira irregularidadesO histórico da variante começou em novembro de 2024, quando foi identificada em uma criança de 5 anos na África do Sul. Após registros pontuais em Moçambique, Holanda e Alemanha no primeiro trimestre de 2025, a linhagem teve um período de baixa circulação. A situação mudou a partir de setembro do ano passado, quando os diagnósticos da variante voltaram a crescer.No período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, a linhagem BA.3.2 avançou com mais força na Europa, chegando a representar 30% das sequências identificadas na Alemanha, Holanda e Dinamarca. De acordo com um levantamento dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, a variante já foi detectada em 23 nações até 11 de fevereiro. Até o momento, não houve notificações da cepa em território brasileiro.Nos EUA, a variante foi confirmada em diferentes frentes de monitoramento. Além de testes clínicos em cinco pacientes – sendo dois casos que exigiram hospitalização –, a linhagem apareceu em amostras de esgoto de 25 estados americanos e em detritos de aeronaves. A vigilância também identificou a BA.3.2 em exames de quatro viajantes que desembarcaram no país vindos do Quênia, Japão, Reino Unido e Holanda.LinhagensDiferentemente das variantes JN.1 e LP.8.1, que dominam o cenário global, a BA.3.2 carrega entre 70 e 75 mutações na proteína Spike. Essa estrutura é a “chave” que o vírus utiliza para invadir o organismo humano. Atualmente, as vacinas disponíveis no mercado focam na JN.1, enquanto as novas versões que estão chegando, recomendadas pela OMS e pela Anvisa, foram ajustadas para combater a descendente LP.8.1.Apesar dessa diferença genética, os especialistas destacam que não existem evidências de que a nova cepa cause quadros mais graves ou esteja provocando um aumento descontrolado de transmissões. A visão dos virologistas é de que a variante exige mais atenção, mas não representa um perigo inédito.Essa análise está alinhada ao posicionamento da OMS, que já em dezembro havia destacado o forte escape de anticorpos da BA.3.2. A organização considera incerto se essa vantagem genética fará com que ela substitua as linhagens prevalentes. Segundo a entidade, “não há estudos clínicos ou epidemiológicos publicados indicando que BA.3.2 esteja associada a maior gravidade da doença em comparação com outros descendentes [da Ômicron] em circulação”.Até agora, os locais onde a cepa foi identificada não registraram alta em internações ou óbitos. Para a OMS, a variante não traz riscos extras à saúde pública além dos já conhecidos das sublinhagens da Ômicron. O relatório conclui que, embora o perfil de escape imune exija monitoramento constante, “até o momento, não há sinais de aumento de hospitalizações, admissões em UTI ou mortes atribuíveis à BA.3.2”.The post Rede de virologistas monitora nova variante da Covid-19; entenda a BA.3.2 appeared first on InfoMoney.