O governo anunciou na segunda-feira (5) um pacote de subsídios para segurar o preço dos combustíveis e evitar que a guerra do Irã vire um problema inflacionário doméstico. O Ministério da Fazenda incluiu no pacote benefícios ao GLP e apoio a companhias aéreas. Para o diesel, o incentivo total chega a R$ 1,12 por litro para produtores e R$ 1,52 para importadores.O mercado não se surpreendeu. O Goldman Sachs lembra que a possibilidade já circulava na semana passada, e os investidores já haviam precificado alguma intervenção. Com isso, o alívio deverá se ater ao curto prazo.Leia tambémPetróleo WTI sobe 3% após Trump ameaçar acabar com civilização iranianaPresidente dos EUA afirmou que uma civilização inteira “pode morrer esta noite”, caso não haja reabertura do Estreito de OrmuzPara o governo, aponta o Morgan Stanley, repassar integralmente a alta do diesel seria um erro. O combustível tem efeito cascata sobre fretes, alimentos e transporte, e um choque desses chegaria rápido ao IPCA. O banco também destaca que o subsídio seria fiscalmente neutro, compensado por um imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo.O Goldman, no entanto, tem dúvidas sobre a execução. O anúncio não deixou claro como os subsídios serão concedidos nem quais serão os critérios de precificação de referência. Mais importante: os maiores distribuidores do país, que respondem por 25% das importações de diesel, ficaram de fora do programa anterior, e podem ser excluídos deste também.A estimativa do banco é que o desconto efetivo entre os preços locais e a alternativa de importação fique em apenas 5%.O Itaú BBA chega a conclusão parecida. As medidas não fecham o gap entre os preços domésticos e a paridade de importação, o patamar a partir do qual importar diesel passa a ser economicamente viável. Importadores independentes, portanto, devem continuar sem incentivo para entrar no mercado.E a Petrobras?Para a Petrobras (PETR3; PETR4), a equação é mais delicada. O BBA reconhece que a flexibilidade da política de preços da companhia já ajuda a comprimir a distância em relação à paridade de importação. E, mesmo que o repasse integral fosse tecnicamente preferível, a cautela da gestão faz sentido num ambiente de volatilidade elevada.O Morgan Stanley explica a mecânica: o preço do diesel operaria dentro de uma banda. O piso é o custo marginal de produção, a garantia de margem mínima para a companhia. O teto fica próximo à paridade de importação, ponto em que o cliente começa a buscar alternativas no mercado externo.Tanto o BBA quanto o Morgan Stanley avaliam que o pacote pode eliminar a necessidade de um reajuste formal pela Petrobras. Mas há uma complicação. A redação preliminar da medida provisória exige que, para receber o subsídio de R$ 0,80 por litro, a Petrobras aumente os volumes vendidos às distribuidoras.“Embora a companhia possa capturar algum ganho de produção por meio de maior utilização de suas refinarias, um aumento mais relevante nos volumes de vendas às distribuidoras provavelmente exigiria a retomada das importações”, afirma o BBA.The post Diesel e Petrobras: qual o efeito real do pacote do governo para conter combustíveis? appeared first on InfoMoney.