Relator da CPI do Crime Organizado diz que Moraes ameaça Coaf para evitar investigação contra Banco Master

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O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, têm inviabilizado os trabalhos da comissão e a investigação contra crimes de colarinho branco. Afirmou ainda que o ministro Alexandre de Moraes “ameaça” o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para evitar a obtenção de informações pela comissão.“O Coaf está constrangido, o Coaf está ameaçado pelo ministro Alexandre de Moraes para que não entregue relatórios de inteligência financeira sob pena de cometer uma série de crimes e ilícitos. Por quê? O que tem de tão grave que tem que esconder? São os voos nos aviões de Vorcaro? Não dá mais para esconder. A CPI já mostrou.”No fim do mês passado, Moraes tomou decisão em que impôs restrições ao compartilhamento de relatórios de atividade financeira produzidos pelo órgão com investigações. Dentre as determinações, está a exigência de abertura de investigação criminal ou procedimento administrativo formal já instaurado.Também é obrigatório justificar “pertinência temática” e identificação do investigado.Moraes voou pelo menos oito vezes em aviões ligados ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Um deles, ocorreu um dia antes de o ministro se reunir com o banqueiro.A informação parte do cruzamento de registros de entrada no terminal de voos executivos do Aeroporto de Brasília com a movimentação de aeronaves e conversas entre Vorcaro a ex-namorada Martha Graeff.No diálogo por mensagens entregue à CPMI do INSS, ele relata reunião com Moraes no dia seguinte ao embarque de Moraes em Brasília.Vieira também criticou o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou ao cargo no fim de março deste ano, e não compareceu ao seu depoimento, nesta terça (4), após conseguir habeas corpus do ministro André Mendonça que tornou sua presença facultativa.Vieira citou que, mesmo após a demonstração de que as carteiras do Master eram fraudulentas, o Banco de Brasília (BRB), adquiriu R$ 20 bilhões em ativos ligados à instituição financeira de Daniel Vorcaro.“No Brasil, a lei só vale para pobre. Essa é a realidade, infelizmente. Eu fico impressionado com como alguém pode pedir a confiança dos brasileiros ou dos moradores do DF e depois não tem coragem de prestar contas”, disse.