A XP Investimentos (XPBR31) deu mais um passo na sua estratégia de transformação do mercado de investimentos brasileiro ao lançar uma campanha de multimodelos que oferece ao cliente três formas distintas de ser atendido — e, com isso, o poder de escolha sobre como pagar pelos serviços. A iniciativa foi apresentada publicamente pelo CEO Thiago Maffra, que defendeu a transparência como diferencial competitivo e rebateu críticas sobre conflito de interesse nos modelos de assessoria.Os três modelos são: o transacional, em que o cliente paga por operação; o de fee fixo, com cobrança de um percentual sobre o valor investido; e o de consultoria, que também cobra um percentual, mas com a diferença de contemplar todo o patrimônio do cliente, inclusive o que está investido em outras instituições.“Imagina que você tem conta de investimento em três bancos, quatro bancos — o seu advisor na XP vai olhar todos os seus investimentos dentro e fora, consolidar e fazer um planejamento financeiro em cima de todo esse dinheiro”— Thiago Maffra, CEO da XP Inc.Descubra o novo modelo de remuneração para assessores XPA empresa ressalta que não existe modelo superior. A escolha adequada depende do perfil de cada investidor. Quem prefere carteiras enxutas e horizonte de longo prazo tende a se beneficiar do modelo transacional. Já quem deseja acompanhamento mais próximo e visão consolidada do patrimônio encontra no modelo de consultoria uma solução mais aderente. “Não caiam nessa narrativa de que o modelo A é melhor do que o modelo B, porque isso não existe”, disse o executivo.A declaração foi dada ao vivo no Morning Call da XP, programa diário conduzido pela estrategista de investimentos Raquel de Sá, da área de Research da corretora.Veja mais: XP reforça poder de escolha do investidor em nova campanha com João FonsecaE também: Como as assessorias estão impulsionando os traders; “tinham vida curta; agora não”Conflito de interesse existe em qualquer modeloMaffra abordou de frente a questão do conflito de interesse, tema que alimenta debates entre influenciadores e especialistas do setor financeiro. Para ele, o problema é inerente a qualquer relação comercial e não exclusivo do modelo de assessoria. “Conflito de interesse é inerente a qualquer modelo de vendas”, afirmou, usando como analogia um vendedor de automóveis que conhece o produto melhor do que o comprador.Para mitigar esses riscos, a XP diz contar com mecanismos estruturais: as recomendações de alocação partem de uma área centralizada, liderada pelo CIO Arthur Wischmann, e cada produto com componente de risco passa por análise que define perfil adequado, proporção e tamanho de posição. “A gente cria vários mecanismos para ter uma alocação correta para o nosso cliente, independente do modelo”, afirmou.Como a IA redesenhou a gestão de investimentos: “não é mais opção, é obrigação”O mercado não premia talento, premia mentalidadeMaffra também voltou a apontar o modelo de negócio dos bancos como o principal vetor de conflito no sistema financeiro. Segundo ele, enquanto o crédito representa 60% a 70% do resultado dos grandes bancos, na XP esse percentual é de apenas 6%. “O maior conflito existente hoje está no modelo de negócio dos bancos”, disse. Como exemplo, citou o fato de que há ainda R$ 1 trilhão aplicado em poupança no Brasil, rendendo 70% do CDI, sem que os bancos tenham incentivo para recomendar uma migração para produtos mais rentáveis — pois isso encareceria seu custo de funding.A corretora afirma que menos de 15% dos produtos vendidos aos seus clientes são de prateleira própria, ante mais de 80% nos grandes bancos. O portfólio conta hoje com cerca de 20 mil profissionais — assessores, consultores, advisors e bankers — dedicados ao universo de investimentos.Leia tambémTrump diz que reabertura de Ormuz deve constar em acordo de cessar-fogo com o IrãTrump disse que, se o Irã não concordar com seus termos, os militares poderiam destruir “todas as pontes no Irã até meia-noite de amanhã”Da plataforma aberta ao wealth planning democratizadoPara contextualizar o lançamento dos multimodelos, Maffra fez um retrospecto da trajetória da XP. A primeira grande inflexão, segundo ele, ocorreu em 2010, com a criação da plataforma aberta — que permitiu ao investidor pessoa física acessar uma cesta diversificada de produtos sem depender dos cinco grandes bancos. Antes disso, um CDB pagava 70% do CDI, fundos cobravam taxas de administração de 4% e havia custo para manter uma conta de investimentos.A segunda onda foi a construção da maior rede de especialistas de investimentos do Brasil. E a terceira — em curso — é o que a empresa chama de excelência em serviço, com foco na democratização do wealth planning, serviço antes restrito a clientes de private banking e family offices. “A gente está pegando aquele serviço que só clientes de private banking e multifamily offices têm acesso e democratizando isso para todos os nossos perfis de clientes”, disse Maffra.Clientes com mais de R$ 3 milhões investidos já têm acesso a um advogado e um wealth planner que atuam ao lado do assessor, elaborando planejamentos sucessórios e tributários personalizados. Para faixas a partir de R$ 300 mil, a empresa também oferece algum nível de planejamento financeiro estruturado.A decisão final sobre qual modelo adotar permanece com o cliente. “Se o cliente virar e falar: entendi o seu ponto, você está me recomendando o modelo B, mas eu prefiro o A porque me sinto mais confortável — a decisão é do cliente”, disse o CEO. “Por isso que a gente tem falado do poder de escolha.”The post Multimodelos: a estratégia da XP para oferecer atendimento sob medida ao cliente appeared first on InfoMoney.