Renda fixa: Itaú BBA reforça aposta em títulos públicos para abril; veja quais ter na carteira

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Em meio a um cenário mais turbulento para a renda fixa, o Itaú BBA manteve uma estratégia conservadora nas recomendações de abril, com foco em títulos públicos que combinam proteção, liquidez e retorno real elevado.Entre as principais escolhas, o banco destaca três papéis do Tesouro Direto, que refletem diferentes estratégias dentro da carteira:Pós-fixado:Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0872%Atrelados à inflação:Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,65%Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,23%A seleção evidencia uma combinação clássica de liquidez e proteção no curto prazo, com ganho real robusto no longo prazo.No caso do Tesouro Selic, o papel segue como o “porto seguro” da carteira. Com a taxa básica ainda em patamar elevado, o ativo continua oferecendo retorno competitivo com baixa volatilidade, sendo indicado principalmente para horizontes mais curtos ou como reserva de liquidez.Já os títulos indexados à inflação aparecem como o principal destaque em termos de oportunidade. As taxas reais acima de 7% chamam atenção e refletem uma reprecificação relevante ao longo da curva de juros.O pano de fundo: petróleo, inflação e juros mais altos por mais tempoO reforço na posição em títulos públicos não acontece por acaso. Março foi marcado por uma mudança importante na dinâmica do mercado.Segundo o Itaú BBA, o principal vetor foi o choque de energia, com o petróleo saltando de cerca de US$ 71 para acima de US$ 100 ao longo do mês. Esse movimento deixou de ser visto como algo pontual e passou a contaminar as expectativas de inflação de forma mais estrutural.No Brasil, os dados também vieram menos confortáveis. O IPCA mostrou uma composição mais pressionada, enquanto o IPCA-15 surpreendeu para cima. O resultado foi uma reancoragem das expectativas, com a inflação implícita de curto prazo subindo e a curva de juros abrindo.Ao mesmo tempo, o Banco Central iniciou o ciclo de cortes com cautela, reduzindo a Selic em 25 pontos-base, mas sinalizando menor espaço para aceleração. O mercado, por sua vez, passou a precificar juros mais altos por mais tempo, com taxas próximas de 14% ao longo da curva.No exterior, o cenário não ajudou. A inflação ainda resiliente nos Estados Unidos e o tom mais cauteloso do Federal Reserve reforçaram o ambiente global de juros elevados.