Entenda como funcionará a cooperação Brasil-EUA no combate ao crime organizado

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O Brasil e os Estados Unidos firmaram nesta sexta-feira (10) acordo de cooperação mútua no combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A colaboração internacional funcionará por meio da integração de esforços de inteligência e do compartilhamento de informações em tempo real entre a Receita Federal e a agência de fronteiras norte-americana.Segundo informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nomeado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), a cooperação está inserida no contexto de diálogos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder norte-americano, Donald Trump. A construção da cooperação teve início em janeiro de 2026, após visita técnica a Foz do Iguaçu, no Paraná. A inspeção consolidou o alinhamento entre os países para fortalecer a atuação em rotas sensíveis, como a região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.‘Remote Targeting’O titular da Fazenda explicou também que o sistema Remote Targeting possibilitará a análise remota de carga e o envio contínuo de dados e relatórios de inteligência dos Estados Unidos ao Brasil. O procedimento permitirá a identificação de remessas ilícitas. Já em território brasileiro, as informações serão repassadas da Receita Federal à Polícia Federal (PF).Programa DesarmaA principal iniciativa da cooperação é o lançamento do Programa Desarma. Por meio da medida, os países farão o compartilhamento de informações a fim de ampliar a capacidade de rastreamento internacional de armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros produtos sensíveis.Por meio de um sistema informatizado, dados estratégicos das apreensões serão reunidos, como o tipo de material, origem declarada, informações logísticas da carga e eventuais identificadores ou números de série, algo que pode viabilizar o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas. A ferramenta também permitirá o envio de alerta às autoridades aduaneiras dos países de origem ou de mercadorias confiscadas.Classificação de facções brasileirasO anúncio da cooperação entre os países se deu em momento no qual Trump tem dado indicações de que enquadrará o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Por se opor à medida, o Planalto tem tentado criar canais de confiança com a Casa Branca para impedir a classificação. Durigan disse que a possibilidade de tipificação das facções não foi debatida durante as tratativas para firmar a cooperação.*Com informações de Agência Estado e Reuters