BBA vê cenários opostos para celulose curta e longa e tem visão positiva para Suzano

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A divergência entre os cenários da celulose de fibra longa branqueada (BSKP) e da celulose de fibra curta branqueada tomou o protagonismo no setor de papel e celulose. Por um lado, as restrições de oferta e melhor demanda têm mantido a fibra curta em um momento positivo. Do outro, as pressões vindas da China enfraquecem a fibra longa.De acordo com a Suzano (SUZB3), a principal diferença entre os tipos de fibra estão nas origens e em seus usos. Enquanto a celulose de fibra longa é originada de árvores como o pinus, as de fibra curta são extraídas, principalmente, do eucalipto. As de fibra longa são mais resistentes, mas têm um custo de produção mais alto. Já a celulose de fibra curta têm mais eficiência em termos de crescimento e custo de produção.Leia tambémOrmuz está quase paralisado e Irã diz para navios seguirem em suas águas territoriaisCentenas de petroleiros e outros navios estão presos no Golfo Pérsico desde o início da guerra dos EUA e Israel com o IrãConforme o Itaú BBA, o momento é claramente divergente entre os produtos e as movimentações na Ásia justificam os dois movimentos, positivo e negativo. Além disso, o setor também pode encarar alguns efeitos indiretos do Oriente Médio. Inicialmente, de acordo com os analistas, esse impacto seria positivo. A médio e longo prazo, a expectativa é de efeitos menos construtivos.Fibra curta sustentada pela demandaDe acordo com os analistas, a celulose de fibra curta tem sido impulsionada por questões de oferta. A situação florestal na Indonésia e as paradas operacionais têm provocado um aumento nos custos de madeira na China e retirando a oferta de celulose no curto prazo.Conforme a Suzano, a situação na Indonésia resultou em uma perda de cerca de 150 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026 (1T26), podendo chegar a aproximadamente 600 mil toneladas em 2026 caso novas disrupções ocorram. Por causa disso, a empresa já afirmou que não prevê entrada de novos projetos de celulose para papel neste ano.O início do projeto OKI acabou adiado de abril de 2026 para o quarto trimestre deste ano ou o primeiro de 2027, mantendo a oferta limitada no curto prazo.Pelo lado da demanda, a companhia afirmou que produção de papel na China foi um importante vento favorável no 1T26. De acordo com a administração, o cenário ajudou a absorver o mercado mais apertado de BHKP e sustentar tentativas de aumento de preços. Segundo a Suzano, janeiro e março registraram números fortes, enquanto fevereiro teve um desempenho mais fraco devido ao Ano Novo Chinês.Fibra longa sofre com estoquesEnquanto a fibra curta aproveita as condições da Ásia, a fibra longa sofre com estoques elevados com o aumento da produção chinesa e substituição F2F. Conforme a própria Suzano, entre 60% e 80% dos estoques porto chineses são de celulose de fibra longa. Ao mesmo tempo, a China tem aumentado sua produção local, a custos inferiores à fibra curta.Do lado da demanda, a BSKP tem sofrido pressão pela substituição F2F. Essa troca, de acordo com os analistas, implica em perda de participação para a produção local e perda de participação pela própria substituição.A Suzano ainda indicou que parte do sistema canadense de fibra longa está operando com margens negativas, enquanto as margens da BSKP permanecem fracas há um período prolongado. Segundo os economistas, a empresa sugeriu possíveis paralisações de capacidade.Apesar do desempenho negativo recente das ações — com queda relevante frente ao Ibovespa em doze meses — o Itaú BBA mantém visão construtiva para a Suzano. O banco rtem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para as ações SUZB3, com preço-alvo de R$ 70, sustentado sobretudo pela maior exposição da companhia à celulose de fibra curta, que hoje apresenta fundamentos mais sólidos no cenário globalThe post BBA vê cenários opostos para celulose curta e longa e tem visão positiva para Suzano appeared first on InfoMoney.