A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta quarta-feira (8) o primeiro espaço para motoboys da capital, após uma série de protestos dos entregadores de aplicativo durante a pandemia. O equipamento oferece estrutura gratuita para descanso e alimentação para motoboys e motogirls.O espaço funcionará diariamente, das 5h à 0h, sem limite de tempo de permanência para os cerca de 350 mil profissionais que atuam como motoboys e motogirls na cidade de São Paulo.De acordo com a coleta de dados da prefeitura, cerca de 1,3 milhão de motos circulam diariamente na capital, sendo que aproximadamente 700 mil são utilizadas para trabalho. Leia Mais SP: Moraes cita “proibição disfarçada” e suspende regras sobre mototaxi Nunes sanciona projeto de lei que regulamenta mototáxi por app em São Paulo Uber e 99 desistem de serviço de motoapp em SP após sanção de lei “É um espaço super importante. Além da questão do conforto, isso contribui para algo fundamental: permitir que os motociclistas tenham um momento de descanso para continuar a jornada de trabalho, que é muito estressante”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes.O espaço é resultado do diálogo direto com representantes da categoria e foi concebido para garantir melhores condições de trabalho.A estrutura conta com área coberta de descanso e alimentação, equipada com mesas, micro-ondas e refrigeradores, além de sanitários, tomadas para recarga de celular, Wi-Fi, televisão e armários para capacetes e bags. O local também dispõe de estacionamento gratuito com 58 vagas para motocicletas e 28 para bicicletas.Ricardo Nunes disse que esse primeiro espaço serviu para chegar a um modelo ideal. “Agora que temos essa ‘receita’, a expansão será mais rápida. A expectativa é que, até o fim do ano, tenhamos pelo menos mais três unidades entregues.”Veja as imagens:Inauguração do Espaço Motoboy • Sergio Barzaghi/SECOMInauguração do Espaço Motoboy • Sergio Barzaghi/SECOMInauguração do Espaço Motoboy • Sergio Barzaghi/SECOMDificuldades nas ruasA falta de infraestrutura enfrentada nas ruas é uma reality para a maioria dos motoboy, como afirma Alexandre Rodrigues Mendes, de 51 anos, que está nessa profissão há 25. Diabético, ele se emociona ao enumerar funções básicas que a nova estrutura vai proporcionar à categoria. “A gente não podia trazer marmita. Tinha que comer pão ou bolacha, porque não havia onde esquentar a comida. Eu tenho diabetes e passei por muito sofrimento. Sempre sonhei em ter um espaço assim.”Thiago Nascimento Santos, 38, é motoboy há 20 anos e afirma que o espaço traz mais dignidade no dia a dia. “A gente tinha que parar em estabelecimentos para usar o banheiro, e em muitos a gente era discriminado e não podia entrar. Então, com esse espaço aqui vai ser muito agradável e muito útil para a gente poder parar, descansar, esquentar a marmita, ter um tempinho para refletir, colocar o celular para carregar.”Para quem está há menos tempo na atividade, como Erica Regina dos Santos, de 34 anos, o impacto também é imediato. “Para comer, eu tento achar um restaurante mais próximo. Quando não dá, acabo voltando para casa com fome ou comendo alguma besteira. É difícil.” Ao conhecer o local, ela ressalta: “É um ambiente bem aconchegante, em meio à natureza, onde a gente fica mais tranquilo. Dá para descansar, relaxar e até desestressar do trânsito. Vou usar quando estiver por aqui”O projeto do Espaço Motoboy foi desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) e a Agência São Paulo de Desenvolvimento (Ade Sampa), ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET).