Produtores antecipam compras de defensivos da safra 2026/2027

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Produtores começam a antecipar a aquisição de defensivos para a safra 2026/2027, influenciados não por fatores comuns à atividade, mas pela guerra no Oriente Médio. Receosos de que os repasses de custos chegue ao campo, alguns agricultores já iniciaram as compras de sementes e defensivos. Neste contexto, sem citar valores a diretoria da cooperativa Comigo informou nesta quarta-feira (08) que o volume de negócios fechados nesta edição da Tecnoshow, feira agrícola realizada em Rio Verde (GO), já supera o montante total registrado na edição passada.Da mesma opinião compartilham os executivos de três grandes empresas de agroquímicos presentes na Tecnoshow e ouvidos pela CNN: a norte americana Corteva, a alemã BASF, a japonesa Ihara.  Para eles, o cenário de incertezas não travou as negociações e sim acelerou. O petróleo não é apenas combustível essencial para a logística. É matéria-prima para boa parte dos defensivos que chegam à lavoura.  Leia Mais Guerra no Oriente Médio acende alerta para custos da avicultura brasileira Guerra no Oriente Médio: Banco Mundial promete apoio para países emergentes Reduzir importação de fertilizantes é prioridade para CNA   Leia mais Etiópia abre mercado a diversos produtos do agronegócio brasileiro Raízen inicia negociações sobre dívidas, dizem fontes FPA pede flexibilização para uso voluntário de biodiesel acima da mistura  Para o gerente de marketing regional da Ihara para o Cerrado Leste, Valdumiro Garcia, “como a China é um dos principais produtores de matéria-prima para a indústria química, e 40% do petróleo que utiliza vem do Irã, o país passou a buscar cotas em outros países e, consequentemente, o custo maior da matéria-prima será repassado para toda a cadeia”, diz.  Garcia cita como referência o boletim emitido por um importante fornecedor chinês de matérias-primas, que comunicou aos clientes industriais os novos percentuais de aumento; “Há três semanas tivemos um reposicionamento oficial do CAC, que fornece ingredientes ativos pra indústria brasileira, com aumentos de 5% a 10% no custo de matéria-prima de ativos para herbicidas fungicidas e inseticidas”, Segundo o executivo, parte desse aumento já chegou no Brasil. “Além do impacto no custo da matéria-prima temos o custo de trazer essa matéria-prima para cá. E esse percentual total de alta ainda poderá variar”, estima.William Weber, líder comercial da Corteva para a região norte ,descreve o mesmo movimento comercial de antecipação mas sem citar valores movimentados ou percentuais de alta. “O petróleo é ingrediente ativo inclusive dos plásticos para as embalagens. Com a perspectiva de aumento nos preços, no curto prazo, o agricultor começou a antecipar suas compras para minimizar riscos futuros”  afirma o executivo que viu, nas últimas quatro semanas, a tendência de compra antecipada se consolidar na região que atua.O mercado brasileiro de insumos funciona em dois grandes canais: aproximadamente 70% das vendas são feitas por distribuidores e cooperativas, e os outros 30% ocorrem na relação direta entre indústria e agricultor.  O movimento de antecipação das compras é visto principalmente entre os agricultores da venda direta conta Garcia. Segundo ele, este tipo de comercialização é feita geralmente para grandes empresas agrícolas, onde o movimento de antecipação tem sido maior. “Quando o produtor vê que há uma boa relação de troca ele garante todos os insumos com foco em produzir”. Delcides Netto, diretor de vendas da BASF para a região norte,  resume bem esse movimento. “Os produtos de alta performance, ou seja, os melhores insumos, serão ainda mais necessários para garantir a produtividade e defender as margens em momentos de instabilidade. O produtor quer garantir esses ingredientes antes que novas altas apertem ainda mais as margens”, avalia Netto.