O Goldman Sachs elevou a recomendação da Brava Energia (BRAV3) para compra, após o desempenho abaixo do esperado das ações, avaliando que o papel agora apresenta uma relação risco-retorno mais atrativa. O preço-alvo é de R$ 24,50, ou potencial de alta de 16% em relação ao último fechamento. Apesar do fluxo de caixa livre (FCF) de médio prazo da petroleira ser o mais sensível às variações no preço do petróleo, o que em tese a colocaria entre as principais beneficiárias de um cenário de alta do Brent, o papel ficou atrás tanto dos pares locais quanto da própria commodity no ano, com BRAV3 em alta de 29%, contra 55% das petroleiras brasileiras e 80% do Brent no período.Às 10h20, as ações da Brava recuavam 5,31%, cotadas a R$ 20,16, mesmo com upgrade do Goldman, em reação ao cessar-fogo entre EUA e Irã, que levou os preços do petróleo abaixo de US$ 100 o barril.Leia tambémSabesp, Braskem, Embraer, Moura Dubeux, Odontoprev e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira (8)Petróleo desaba abaixo de US$ 100 após Trump anunciar cessar-fogo de duas semanasA reviravolta de Trump ocorreu pouco antes do fim de seu prazo para que o Irã abrisse o Estreito de OrmuzPara o Goldman Sachs, um dos fatores que pode explicar essa performance mais fraca é a estratégia de hedge para 2026. O banco estima que cerca de 70% da produção de petróleo da Brava esteja protegida a preços significativamente abaixo da curva futura atual, o que limita o potencial de alta no curto prazo. Ainda assim, o Goldman avalia que esse efeito tende a perder força ao longo do tempo, já que apenas cerca de 12% da produção está protegida para o ano seguinte.Nesse cenário, o Goldman projeta um yield (rendimento) de fluxo de caixa livre de cerca de 25% em 2027, considerando um preço médio do petróleo de US$ 72 por barril — um prêmio de 7 pontos percentuais em relação à média das empresas brasileiras de exploração e produção sob cobertura. Embora reconheça que a Brava deva negociar com desconto frente aos pares, devido à menor duração das reservas e maior incerteza no crescimento da produção, o banco avalia que esse prêmio compensa esses riscos e representa um ponto de entrada atrativo.Além disso, a desalavancagem da companhia (com dívida líquida/Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, estimada em 1,4 vez em 2026) abre espaço para aumento na distribuição de dividendos, com yield na casa dos dois dígitos médios entre 2027 e 2028, mesmo sem considerar eventuais desinvestimentos.O Goldman também aponta que a performance recente pode ter sido pressionada por preocupações do mercado com a alocação de capital, especialmente após a tentativa de aquisição da participação da Petronas em Tartaruga Verde, além de desafios operacionais em ativos como Atlanta, Papa Terra e operações onshore, que afetaram a confiança no crescimento da produção.Ainda assim, o banco vê espaço para crescimento de produção de cerca de 12% no próximo ano, com a conexão de novos poços em Atlanta e Papa Terra prevista para meados de 2027. Também ressalta que uma eventual venda de ativos onshore poderia destravar valor, ao aumentar a remuneração aos acionistas e permitir maior foco em ativos com melhor perspectiva de crescimento.Por fim, o Goldman mantém preferência relativa por PRIO (PRIO3) no setor de óleo e gás, destacando valuation atrativo e forte crescimento orgânico, além de recomendações de compra para Petrobras (PETR4; PETR3), ainda que reconheça riscos de curto prazo ligados à política de preços de combustíveis.The post Goldman eleva Brava para compra e vê risco-retorno atrativo após ação ficar para trás appeared first on InfoMoney.