O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, deu informações falsas ao presidente Donald Trump sobre o andamento do conflito contra o Irã, segundo reportagem do The Washington Post publicada nesta quarta-feira (8). As estatísticas apresentadas pelo secretário eram “excessivamente otimistas” e teriam levado Trump a repetir publicamente dados enganosos sobre o controle total do espaço aéreo iraniano.Enquanto Trump e Hegseth descreveram a campanha como um “sucesso absoluto” — com o presidente afirmando na segunda-feira (6) que os EUA estão “se saindo incrivelmente bem” e o secretário dizendo que o Irã foi “envergonhado e humilhado” —, acontecimentos mostraram que Teerã ainda conseguia ameaçar forças americanas. Na sexta-feira (3), um caça F-15E foi derrubado por um míssil teleguiado por calor disparado de um avião portátil iraniano. Dois militares ficaram temporariamente isolados em território inimigo e só foram resgatados após uma operação de alto risco.O episódio colocou em xeque as repetidas declarações de Hegseth de que os EUA têm “controle total do espaço aéreo iraniano” e que o Irã “não possui defesas aéreas”. Um funcionário do governo americano, que falou sob condição de anonimato, afirmou diretamente: “Pete não está falando a verdade ao presidente. Como resultado, o presidente está por aí repetindo informações enganosas”.Trump reconheceu o abate do F-15 durante coletiva na Casa Branca, mas minimizou o caso: “Ele teve sorte. Foi um golpe de sorte”. No mesmo dia, o Irã também derrubou um avião de ataque A-10, embora o piloto tenha conseguido voltar ao espaço aéreo antes de ejetar.A analista militar Kelly Grieco, do Stimson Center, explicou que os EUA têm superioridade aérea, mas não supremacia total. “Nossa superioridade aérea é limitada geograficamente a oeste e ao sul, mas também em termos de altitude”, disse ela à reportagem do The Washington Post. Os aviões americanos vêm voando acima de 15 mil ou até 30 mil pés para evitar foguetes portáteis como o que atingiu o F-15.Lançadores intactosAlém do espaço aéreo, outras afirmações de Hegseth estão sendo questionadas. Ele disse repetidamente que os programas de mísseis e drones do Irã estão sendo “destruídos em sua grande maioria”. No entanto, avaliação recente da inteligência americana — repassada a três fontes ouvidas pelo jornal — indica que mais da metade dos lançadores de mísseis ainda está intacta e que milhares de drones de ataque continuam no arsenal iraniano.Hegseth também afirmou que o número de lançamentos iranianos caiu para o nível mais baixo desde o início da guerra. Documentos internos do governo, segundo funcionários, contradizem essa informação: períodos de 24 horas com ainda menos lançamentos ocorreram em meados de março. Dados de código aberto compilados pelo especialista Dmitri Alperovitch confirmam a discrepância.Autoridades americanas afirmam que o foco apenas no volume de lançamentos é equivocado. O Irã mudou de estratégia: em vez de atacar em grande quantidade, passou a preservar seu arsenal e priorizar ataques mais precisos e eficientes. As “taxas de acerto” dos projéteis iranianos aumentaram ao longo do tempo, segundo análise de fontes abertas.Sete soldados americanos morreram em contra-ataques iranianos e outros seis em um acidente de reabastecimento em voo. Quase 375 ficaram feridos. Além disso, o Irã lançou mísseis balísticos contra aliados americanos na região e acionou grupos apoiados por ele, como o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque, sobrecarregando os sistemas de defesa antimísseis.O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, rejeitou as críticas e classificou a reportagem como “mentiras e propaganda”. Já a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que Trump “sempre teve uma visão completa do conflito” e que nada o surpreendeu.