Depois de levar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para a vice de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT busca agora atrair o PSDB para a chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Integrantes da direção nacional do PSDB confirmaram ao Estadão que os petistas tentam abrir diálogo com o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, pré-candidato tucano ao governo paulista.Eles relataram, ainda, que lideranças do PT na Câmara dos Deputados e no Senado sondaram o partido sobre uma eventual filiação da ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone TebetAs conversas, no entanto, não avançaram, e Tebet acabou trocando o MDB pelo PSB para disputar o Senado por São Paulo.Para dirigentes tucanos, a aliança com o PT é de difícil costura. Já petistas argumentam que os tucanos foram escanteados na administração paulista e estão sem espaço no projeto de reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que justificaria uma composição inédita com o PT, seu adversário histórico.Coordenador do grupo Prerrogativas e aliado próximo de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho confirmou que há um movimento de aproximação do PT com o PSDB em São Paulo e disse ver com bons olhos a iniciativa. O Prerrogativas esteve à frente da articulação que levou Tebet a disputar o Senado pelo Estado.“É induvidoso que Haddad quer construir uma frente ampla em São Paulo”, disse Carvalho. “O PSDB colaborou muito para a democracia do País. É um luxo para nós ter relação com suas lideranças. Haddad é um político amplo e vai saber conduzir esse processo.” Procurado, Paulo Serra não respondeu aos contatos da reportagem.Um tucano ouvido reservadamente afirmou não ver sentido em um apoio do PSDB ao PT, mas disse considerar plausível que os petistas estimulem o partido a lançar candidato próprio, numa estratégia para aumentar o número de candidaturas e favorecer a realização de um segundo turno.BarganhaEsse mesmo tucano avaliou que seria mais interessante para o PSDB ter candidato próprio do que caminhar com Tarcísio, já que, numa eventual segunda etapa da disputa, o partido seria um apoio importante e teria maior poder de barganha. Além disso, a estratégia ajudaria a fortalecer o uso do número de urna do PSDB e, por consequência, a impulsionar a eleição de deputados.Mesmo que apoie o governador, o PSDB ficará de fora da chapa de Tarcísio. A composição terá como vice Felício Ramuth (MDB), atual ocupante do cargo, além de Guilherme Derrite (PP) e um nome indicado pelo PL para o Senado.Na chapa de Haddad, ainda há duas vagas indefinidas: a de vice e uma de senador, que está sendo disputada pelos ex-ministros Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet será a outra candidata ao Senado.Haddad tem buscado ampliar o arco de alianças, que atualmente conta apenas com partidos de esquerda. Além do PSDB, o pré-candidato do PT tenta se aproximar do PSD de Gilberto Kassab O dirigente partidário descartou uma aliança e disse que está fechado com Tarcísio.ReuniãoAliados do governador estranharam o que interpretaram como uma abertura de diálogo dos tucanos com os petistas. No mês passado, os presidentes nacional, Aécio Neves (PSDB), e estadual, Paulo Serra, se reuniram com Tarcísio e pediram ajuda na montagem da chapa de deputados em São Paulo.O movimento foi lido no Palácio dos Bandeirantes praticamente como uma confirmação de que o PSDB estaria na coligação do governador. Além da conversa com o PT, outro ponto que desagradou ao entorno de Tarcísio foi a declaração de Aécio, de que Paulo Serra poderia ser candidato a governador. A avaliação no Bandeirantes, contudo, é a de que Serra não conseguiria viabilizar uma candidatura competitiva.Atualmente, o PSDB forma uma federação com o Cidadania, o que significa que os partidos precisam atuar de forma conjunta.O deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), que preside o Cidadania em nível nacional, disse ao Estadão que pedirá a Aécio para que o partido comande a federação em São Paulo – atualmente, o posto está vago.“Por uma razão simples e objetiva que está no estatuto: nós temos dois deputados federais de São Paulo no Cidadania e nenhum do PSDB”, disse Manente. A posição do Cidadania, segundo ele, é apoiar a reeleição de Tarcísio.EsvaziamentoDepois de perder o governo de São Paulo após quase 30 anos de hegemonia, o PSDB sofreu uma sequência de derrotas no Estado. Enfrentou debandada de prefeitos, desapareceu na Câmara Municipal da capital, onde chegou a ter a bancada mais expressiva ao lado do PT, e sofreu um esvaziamento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) durante a janela partidária, passando de oito deputados para um. Boa parte de seus quadros migrou para o PSD de Kassab.*Estadão Conteúdo